São Paulo - Um informe da organização de Direitos Humanos Anistia Internacional acusa o regime sírio de crimes contra a humanidade durante os confrontos com membros da oposição, que ocorrem há 17 meses e aumentaram nos últimos dias na ofensiva na cidade de Alepo, segunda maior do país.
No documento, divulgado ontem, o grupo diz que o aparato de segurança a serviço do ditador Bashar Al Assad reage com ''imprudência característica e uso brutal da força'', o que tem levado a mortes e ferimentos em ''manifestantes pacíficos''.
''As manifestações pacíficas que eu testemunhei em diferentes partes da cidade, invariavelmente, terminaram com forças de segurança disparando munições verdadeiras contra os manifestantes pacíficos, tiroteios indiscriminados e muitas vezes provocam feridos e mortos'', disse a consultora sênior de Resposta para Crise da Anistia Internacional, Donatella Rovera.
A entidade também reclama de ''execuções extrajudiciais, prisões arbitrárias, tortura e desaparecidos''. A Anistia ainda lembra do recrudescimento dos conflitos na cidade de Alepo, acusando as milícias pró-governo, conhecidas como ''shabbiha'', de disparar contra ''protestos pacíficos''.
''O ataque atual na cidade de Alepo coloca civis ainda mais em risco e segue o padrão preocupante de abusos cometidos por forças estatais em todo o país'', disse Rovera.
O relatório ainda menciona que as famílias que perderam parentes em mortes atribuídas a forças do Exército são obrigadas a assinar um documento dizendo que os óbitos foram provocados por ''grupos de terroristas armados''.
''É evidente que o governo sírio não tem a intenção de acabar com esses crimes, muito menos de investigar. Na verdade, tentou evitar qualquer investigação independente sobre esses abusos graves em Alepo e em outras partes do país '', afirma a consultora.
Para a Anistia Internacional, os responsáveis sírios devem ser julgados no Tribunal Penal Internacional, em Haia, na Holanda.

mockup