A cerimônia de transmissão do cargo de presidente da República do Paraguai, ontem, foi marcada pelo clima de animosidade entre o novo presidente, Raúl Cubas, e seu antecessor, Juan Carlos Wasmosy. Embora pertençam ao mesmo partido, o Colorado, os dois não se falam desde 1996, quando Cubas, então ministro da Fazenda de Wasmosy, saiu em defesa do general Lino Oviedo, que empreendera uma tentativa de golpe de Estado.
A expectativa era de que um dos primeiros atos de Cubas na presidência fosse a transferência de seu amigo Oviedo do presídio para uma prisão domiciliar. A libertação do general foi pedida por centenas de manifestantes que se reuniram, ontem, em frente ao prédio do Banco Central, onde foi realizada a cerimônia de posse. Oviedo cumpre desde abril pena de 10 anos, por ter tentado dar um golpe militar contra Wasmosy, em abril de 1996,
Para evitar qualquer contato com seu sucessor, Wasmosy transmitiu o cargo para o presidente da Congresso, Luiz Macchi. Em seguida, foi para a platéia assistir à solenidade na condição de senador vitalício. Macchi, por sua vez, transmitiu o cargo a Cubas.
O novo presidente do Paraguai chegou à cerimônia de posse num carro emprestado por um amigo. Depois da solenidade, levou vários chefes de Estado, entre eles o presidente Fernando Henrique Cardoso, para um almoço comemorativo em sua residência particular - numa exibição da total falta de apoio recebido da equipe que está deixando o governo. Na véspera, Wasmosy havia dado um coquetel de despedida do cargo. O coquetel de Cubas estava marcado para a noite de ontem.
Em seu discurso de posse, Cubas pediu ajuda à comunidade internacional para retirar o país da crise econômica, enfatizou que combaterá ‘‘o contrabando em todas as suas formas’’ e disse que uma de suas prioridades será lutar contra a pobreza. ‘‘Deixaremos um país com melhor desenvolvimento econômico e social’’, prometeu.
Cubas fez também alusão à perseguição sofrida por seu padrinho político, o polêmico general reformado preso Lino César Oviedo, condenado pela cúpula leal a Wasmosy a 10 anos de prisão, sentença que o tirou da corrida presidencial 20 dias antes das eleições gerais de 10 de maio.
Compareceram à cerimônia presidentes do Brasil, Chile, Equador, Peru, Argentina, Bolívia e Uruguai, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, César Gaviría, e o herdeiro da coroa espanhola, príncipe Felipe de Bourbon.
Oviedo O novo presidente do Paraguai, Raúl Cubas Grau, afirmou que o general Oviedo ‘‘será um bom amigo do presidente’’, em entrevista publicada ontem.
Indagado sobre qual será o papel de Oviedo no próximo governo, Cubas Grau respondeu: ‘‘O general Oviedo não foi eleito, pelas razões que todos conhecem. Por isso, não é funcionário do Governo. Mas será um bom amigo do presidente da República’’.
Pouco antes referiu-se à libertação do militar: ‘‘O general Oviedo terá direito a um julgamento justo, como qualquer outro cidadão paraguaio’’. Quanto aos rumores de que o militar será colocado em liberdade amanhã, Cubas Grau respondeu: ‘‘Em 48 horas pode ser transferido. No dia 15 ou 16, vocês terão notícias’’.

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