Andrés Pastrana quer reduzir Congresso
Associated Press
De Bogotá
O governo colombiano e suas maiorias legislativas iniciaram ontem uma corrida contra o relógio para que o Congresso aprove um projeto que convoca um referendo para 30 de julho, destinado a combater a corrupção na política, revogar o mandato dos legisladores e eleger um novo e reduzido Congresso em 29 de outubro.
Estamos cansados dos corruptos, afirmou o presidente Andrés Pastrana na noite de anteontem ao anunciar o referendo. Estamos cansados da burocracia ineficiente e da politicagem.
Creio que haverá um alvoroço impressionante no Congresso, reagiu ontem a senadora independente Ingrid Betancourt, ressaltando que a maioria dos congressistas corruptos e ladrões se opõe à revogação de seu mandato.
Formalmente, a coalizão governista Grande Aliança pela Mudança, formada pelo Partido Conservador e por uma facção dissidente do Liberal, tem maioria no desprestigiado Congresso que é composto por 102 senadores e 161 deputados e tem sido abalado por sucessivos escândalos de desvio de verbas do orçamento.
No entanto, membros da própria bancada governista, como o presidente do Senado, Miguel Piñedo Vidal, mostraram não ter gostado muito da iniciativa de Pastrana.
Não faltou audácia ao presidente nesta proposta de revogar o Congresso, afirmou Piñedo Vidal. Ele se equivoca ao fazer o país pensar que a corrupção está apenas no Congresso, acrescentou.
O líder da oposição liberal, Horácio Serpa, afirmou que, assim como o mandato do Congresso - que, pelas normas atuais, terminaria em 2002 -, deveria estar em jogo o do próprio Pastrana, já que também há corrupção no governo.
O ministro do Interior, Néstor Humberto Martínez, descartou a possibilidade de incluir no referendo uma pergunta sobre a permanência ou não de Pastrana. O mandato presidencial não está questionado.
Os dois principais grupos guerrilheiros do país, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN), rejeitaram a idéia do referendo, alegando que as reformas propostas por Pastrana não são a solução para a crise, e as soluções devem surgir das negociações de paz.
O país não pode esperar o resultado das discussões eternas entre o governo e a guerrilha para atacar a corrupção, reagiu o presidente do Partido Conservador, o senador Enrique Gómez.Presidente colombiano anunciou para o dia 30 de julho um referendo para revogar mandatos e diminuir o número de legisladores
Arquivo FolhaCONTRA A CORRUPÇÃOPastrana alega que a diminuição do Congresso poderia combater a burocracia ineficiente e a politicagem





