Andrés Pastrana assume a presidência
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sexta-feira, 07 de agosto de 1998
Das agências 
Cerca de 3,5 mil convidados assistiram, ontem à posse do conservador Andrés Pastrana, de 44 anos, na Presidência da Colômbia, em cerimônia ao ar livre na Praça de Bolívar, no coração da capital colombiana.
Advogado e jornalista, Pastrana é filho do ex-presidente Misael Pastrana - falecido há um ano - e foi prefeito de Bogotá.
Ele derrotou no segundo turno da eleição presidencial o governista Horacio Serpa, desalojando, assim, os liberais do poder - que ocupavam havia 12 anos.
Pastrana recebeu o cargo de Ernesto Samper, que em seu discurso de despedida transmitido pelo rádio e televisão afirmou que deixava o posto com a consciência tranquila pelo dever cumprido e pediu desculpas pelos equívocos e compreensão pelas deficiências do governo.
Ontem, a polícia desativou poucas horas antes da posse um carro-bomba com 150 quilos de dinamite colocado perto de um edifício luxuoso de Bogotá onde vivem os comandantes das Forças Armadas. Nas 72 horas que antecederam a saída de Samper os grupos rebeldes colombianos Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e Exército de Libertação Nacional (ELN) lançaram uma ofensiva em 22 dos 32 departamentos colombianos. Morreram cerca de 300 pessoas - das quais 192 eram guerrilheiros, segundo cifras oficiais - e mais de 100 feridos, além de terem sido sequestrados dezenas de militares e policiais.
Em declarações ao jornal argentino El Clarin, um dos comandantes das Farc, Raúl Reyes, disse que a onda de atentados foi realizada para marcar a despedida de Samper e reiterou a disposição de seu grupo de continuar conversações de paz. O povo colombiano está cansado dessa guerra.
O porta-voz do ELN Felipe Torres declarou ao mesmo jornal que agora há condições para começar a falar de paz. Ele também justificou a ofensiva desta semana como um adeus ao governo de Samper, que durante quatro anos não fez mais do que manter uma guerra sangrenta contra nós e o povo.
Já Samper afirmou que como prometi, cumpri o compromisso de governar até o último minuto do dia do mandado que me entregaram há quatro anos. Durante sua gestão Samper foi acusado pela Procuradoria-Geral de ter recebido milhões de dólares do narcotráfico para sua campanha política em 1994. Ele foi pressionado para renunciar ao cargo e teve o visto de entrada nos Estados Unidos negado pelo governo americano, que o acusava de envolvimento com o tráfico de drogas.
Entretanto, o Congresso colombiano absolveu-o em 1996 da acusação de ter recebido US$ 6 milhões do Cartel de Cali.
Desde antes de assumir o comando, Pastrana demonstrou a seriedade com que buscava seu propósito. No dia 9 de julho passado, 20 dias depois de ganhar as eleições, reuniu-se com Manuel Marulanda (aliás Tirofijo), chefe das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) em busca de uma primeira aproximação pela paz.
Para os colombianos foi impactante essa imagem do jovem presidente dividindo uma mesa em algum lugar das montanhas do país com o velho guerrilheiro, que muitos acreditavam estar morto.
Esse gesto, somado às conversações na Alemanha do outro grande grupo guerrilheiro colombiano - o Exército de Libertação Nacional (ELN) - com dirigentes da sociedade civil, despertou no país uma expectativa positiva.


