Anarquia toma conta do Iraque
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sexta-feira, 11 de abril de 2003
France Presse 
Bagdá O museu arqueológico de Bagdá, o mais importante do país com peças antigas de valor incalculável, é uma das mais graves vítimas dos saques que se multiplicaram na cidade nas últimas 24 horas. Depois de forçar a entrada pela parte administrativa do local, os ladrões invadiram os depósitos do museu e o salão de exposições.
Peças de cerâmica e estátuas da época assíria, uma porta de madeira do palácio do rei Sargon II do ano 720 a. C. e outros objetos de centenas de anos de antiguidade correspondentes à antiga Mesopotâmia eram roubados ou simplesmente quebrados por dezenas de ladrões que não se preocuparam em se esconder da imprensa.
Ao que parece, muitas peças pequenas haviam sido retiradas do local antes do final da guerra. ''Foram os americanos'', afirmam os moradores, explicando que viram os soldados americanos carregando peças em caixas de madeira depois de sua entrada na cidade na quarta-feira.
Dos arquivos do museu também não restou nada, quase tudo queimado ou roubado.
''Não podemos fazer nada para evitar. Querem que nós disparemos contra eles?'', perguntavam os soldados americanos.
A mesma situação se repete em dezenas de locais da cidade, completamente controlados pelos saqueadores.
Lojas, sedes de ministérios, bancos privados e públicos: qualquer edifício é alvo de uma multidão incontrolável de ladrões, que não hesitam em atirar para o alto, contra rivais ou câmeras de televisão.
A sede do ministério da Defesa, no centro da cidade, foi literalmente depenada pelos ladrões. Gabinetes, banheiros, salas de reuniões, portas. Os ladrões carregavam tudo que conseguiam em automóveis, caminhões ou carretas.
A poucos metros, é possível observar as chamas que saem das janelas do Banco Central.
m breve serão nossas casas'', afirmam os moradores da região, assustados com a cidade sem lei.
No bairro de Al-Eahdamiya, a mesquita de Abu Janif, cujo minarete foi parcialmente destruído pelos impactos de morteiro nos últimos dias, foi profanada e também se tornou o paraíso dos ladrões, ontem.
Cáos em Kirkuk A situação na cidade iraquiana de Kirkuk (Norte), tomada pelas forças americanas e curdas, está inteiramente fora do controle dos chefes curdos locais e várias pessoas morreram ou foram feridas, informou ontem o governador curdo da cidade, Rizgar Ali.
Houve saques durante toda a noite passada, além de ajustes de contas individuais e comunitários, disse o governador à AFP.
No antigo hospital Saddam Hussein, um dos principais da cidade, não foi recebida nenhuma vítima desses ajustes de contas.
Três pessoas morreram desde quinta-feira, dia da tomada de Kirkuk, atingidas por disparos durante as manifestações de alegria. Segundo a mesma fonte, 57 pessoas foram feridas.


