Analistas alertam sobre a Venezuela no Mercosul
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de julho de 2006
João Caminoto<br> Agência Estado 
Londres - A entrada da Venezuela no Mercosul é um lance muito arriscado da política externa brasileira, alertam especialistas em América Latina. Eles alertam que o bloco, que vem enfrentando nos últimos anos uma crise interna, deverá ser palco de uma maior tensão política com a inclusão do tom ideológico nacionalista e anti-Estados Unidos do presidente venezuelano Hugo Chávez.
No exterior, o Mercosul corre o risco de perder mais um pouco da sua credibilidade, dificultando as negociações de acordos comerciais com a União Européia, que estão paralisadas. Além disso, com os bolsos cheios de petrodólares, Chávez poderá alterar o balanço político dentro bloco, reduzindo a influência de Brasília.
''Há uma aposta brasileira de que, com a entrada da Venezuela ao Mercosul, Chávez poderá ser neutralizado e a integração na região, intensificada'', disse Alfredo Valadão, chefe da cadeira de Mercosul do Instituto de Estudos Políticos de Paris. ''Mas é uma aposta arriscada, pois Chávez, com seus petrodólares, é difícil de ser controlado e isso criará tensões inevitáveis que poderão enfraquecer o Mercosul no exterior.''
Para Francisco Panizza, professor da universidade britânica London School of Economics, a politização é preocupante. ''O projeto do Mercosul, ao ser criado, é de que ele buscaria um regionalismo aberto, oposto ao tom nacionalista e antiglobalização defendido por Chávez'', disse Panizza. ''Eu não tenho certeza se esse projeto poderá ser continuado a partir de agora.''
Segundo os analistas, o discurso antiimperialismo de Chávez deve criar maior tensão dentro do bloco. ''Os ataques aos Estados Unidos desferidos por Chávez vão colocar numa situação difícil os outros países que não concordam com essa posição'', disse Valadão.


