Analfabetos somam 880 milhões
France Presse
De Paris
O diretor-geral da Unesco, Koichiro Matsuura, estima em 880 milhões, o número de analfabetos adultos no mundo, ou seja, 20% da população mundial, e em 113 milhões, o número de jovens que não estão escolarizados, 110 milhões deles nos países em vias de desenvolvimento.
Numa entrevista à France Presse antes do Fórum Mundial da Educação, organizado pela Unesco em Dakar, que será realizado de quarta a sexta-feira da semana que vem, Matsuura afirmou que a erradicação do analfabetismo continua sendo o objetivo da organização.
Dez anos depois da Conferência Mundial de Jontien (Tailândia), em que a Unesco se comprometeu a reduzir o analfabetismo à metade, antes do ano 2000, continuamos longe deste objetivo, reconheceu.
Devemos conseguir erradicar o analfabetismo e não esquecer os adultos, dar-lhes uma segunda oportunidade, o direito à educação durante toda a vida, mesmo que a escolarização das crianças seja prioritária. Devemos chegar a todos aqueles que estão marginalizados: as minorias étnicas e culturais, as crianças exploradas ou vítimas de guerras, os inválidos e, principalmente, as mulheres, que representam 63% dos analfabetos, afirmou Matsuura, lembrando que a eliminação da discriminação sexual, essencial para a democracia, é um ponto primordial para a Unesco, inclusive mais abrangente que a questão educativa.
O diretor-geral da Unesco apontou como prioridade das prioridades garantir uma educação de base de qualidade para todos nos próximos 15 anos. A educação é minha prioridade. Assumi esse compromisso claramente, já em meu discurso de posse do cargo, em 15 de novembro passado, afirmou.
Insistindo na educação básica, realçou a necessidade de melhorar também seu conteúdo. Não basta escolarizar 100% dos jovens. É fundamental ensinar-lhes a ler, a escrever e a se expressar, mas também é necessário que todos tenham acesso a outros conceitos, que conheçam as ciências e possam se beneficiar das novas tecnologias. Do contrário, se criará uma nova separação entre ricos e pobres, advertiu.
Matsuura, que deseja que o Fórum de Dakar termine com um decidido chamamento à ação concreta, considera que toda a rede de instituições especializadas na educação deve contribuir na tarefa, mas pediu sua colaboração também à comunidade internacional, convocando os Estados a um compromisso político claro e pedindo aos que destinam menos de 1% de seu PIB à educação que reflitam sobre a importância desse investimento.
Ele pediu, ainda, que os doadores aumentem sua ajuda, sem esquecer de solicitar a colaboração de organismos como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. Não é normal, quando estes pedem a certos países, que reestruturem sua economia, que exijam que isso se faça mediante uma redução dos gastos com educação. Não é uma posição correta, já que a educação é essencial para o futuro destes países, protestou.
O Fórum de Dakar, que contará com mil participantes, procedentes de 150 Estados-membros, será precedido, nos dias 24 e 25 de abril, de uma reunião consultiva das organizações não-governamentais. Matsuura elogiou o compromisso e a importância das atividades das ONGs, dizendo que a ação delas é reconhecida, mas nunca é demais repetir até que ponto é benéfica.





