Ampliam-se os bloqueios na Bolívia
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quinta-feira, 26 de abril de 2001
Associated Press De La Paz 
Um bloqueio de estradas iniciado por plantadores de coca os cocaleros que pedem a renúncia do presidente Hugo Banzer agravou-se ontem ao deixar intransitável por várias horas a rodovia principal que liga o leste ao centro do país, em meio a uma escalada de protestos que ameaça desestabilizar o governo.
Na região de Chapare, a 580 km a sudeste, os cocaleros que obedecem ao comando do deputado Evo Morales realizam desde quarta-feira bloqueios relâmpago na estrada entre Santa Cruz e Cochabamba, duas das três mais importantes cidades do país.
O presidente da entidade que congrega os empresários de Santa Cruz, Jorge Valdés, ameaçou tomar medidas de força para desocupar a rodovia. Se os cocaleros querem mortos, eles os terão, disse.
Os protestos, que começaram há 17 dias com o início de uma marcha de 400 km liderada por Morales, estenderam-se pelo Estado de Tarija, no sul do país onde hoje houve uma greve de 24 horas para exigir a construção de uma estrada.
Morales quer o fim da política governamental de erradicação das plantações de coca; o fim da economia de mercado; e a reestatização das empresas privatizadas pelo governo anterior. Por não ser atendido, concentrou seu descontentamento no slogan que vem sendo repetido com cada vez maior frequência: fora Banzer.
O governo afirma que quarta-feira os cocaleros abriram fogo contra um helicóptero antidroga em Chapare, incidente que não deixou vítimas.
Ao mesmo tempo, em La Paz, dois deputados Victor Miranda, do Movimento Consciência da Pátria (CONDEPA), e Félix Sánchez, do Movimento Bolívia Livre (MBL), se juntaram a seus cinco colegas em greve de fome que exigem um diálogo entre o governo de Banzer e os dirigentes cocaleros, enquanto cresce a repressão aos manifestantes que chegam à capital boliviana.
Diante da onda de conflitos, o governo confirmou ontem que está disposto a flexibilizar o modelo de economia de mercado, como exigem alguns sindicatos e partidos políticos, e anunciou que perdoará as dívidas contraídas junto a bancos estatais por 20.000 camponeses e indígenas que fizeram empréstimos não superiores a US$ 5.000.
Observadores mostram-se preocupados com a situação, duvidando que as medidas agora anunciadas possam conter os protestos. O temor é o de que a crise se agrave, pondo em perigo inclusive o próprio governo. O presidente Hugo Banzer já enfatizou que não renuncia, apesar de toda a pressão.


