Amorim responde com firmeza a Condoleezza Rice
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segunda-feira, 06 de junho de 2005
France Presse 
Fort Lauderdale (EUA) - O chanceler brasileiro, Celso Amorim, respondeu ontem à secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que ''a democracia não pode ser imposta'', em discurso feito na sessão plenária da Assembléia Geral da OEA em Fort Lauderdale (Flórida, sudeste).
''Senhora presidente, a democracia não pode ser imposta. Ela nasce do diálogo'', declarou solenemente o ministro brasileiro ao se dirigir pessoalmente a Rice, presidente da reunião de cúpula que debate a proposta dos Estados Unidos de dar à OEA um papel de ''monitoramento'' da democracia na América Latina. A proposta dos Estados Unidos de ''monitoramento'' das democracias na América Latina foi rejeitada por vários países do Cone Sul, que a interpretaram como uma medida para vigiar a Venezuela.
O ministro destacou que a Carta Democrática Interamericana, aprovada em 11 de setembro de 2001, deve ''ser firmemente aplicada, mas de forma equilibrada''. Ele recordou que o texto está baseado no ''respeito à soberania e à não-intromissão''.
''Os conceitos básicos têm de ser cooperação e dialógo, mais do que mecanismos intervencionistas'', acrescentou, em alusão às declarações da véspera de Rice, que não hesitou em utilizar a palavra ''intervenção'' ao comentar a proposta de seu país. ''Não é uma questão de intervir para punir. É uma questão de intervir para sustentar as democracias na região'', declarou Rice à imprensa no avião em que viajou para Fort Lauderdale.
Amorim deixou claro que existem divergências entre Brasília e Washington sobre a forma de garantir a consolidação da democracia nas Américas. Enquanto Rice exigiu que os dirigentes eleitos governem democraticamente, o chanceler brasileiro pediu mais atenção para a situação social do hemisfério. ''O pleno florescimento da democracia nos países mais pobres pressupõe também um ambiente internacional favorável'', declarou o ministro na primeira sessão plenária da cúpula, cujo lema é ''tornar realidade os benefícios da democracia''.
Ontem, Amorim pediu à comunidade internacional para acelerar o envio de ajuda e financiamentos ao Haiti, e afirmou que o uso da força não acabará com a insegurança e a crise nesse país, onde o Brasil lidera uma missão da ONU. ''A situação do Haiti não vai ser acertada apenas com o uso da força militar'', afirmou Amorim.
Ele rejeitou as críticas feitas ao Brasil sobre o aumento da insegurança no país caribenho, apesar da presença dos capacetes azuis da ONU sob comando brasileiro. Brasília gastou mais de US$ 100 milhões na Missão da ONU para a Estabilização do Haiti (Minustah).


