Americanos temem cubanização da Venezuela
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quarta-feira, 18 de agosto de 2004
France Presse 
Washington - Membros do governo americano temem que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, se torne o braço de Fidel Castro na América do Sul. Por outro lado, alguns especialistas argumentam que este receio, produto de uma ''mentalidade de Guerra Fria'', é irreal.
Chávez irrita Washington com sua retórica antiamericana, sua amizade com o presidente de Cuba, a quem vende petróleo subsidiado, e seu acúmulo de poder nos últimos anos. Um setor dentro do governo de George W. Bush teme que a vitória de Chávez no referendo de domingo contribua para gerar mais tensões entre o norte e o sul do continente e para implementar com maior intensidade seu projeto político.
Parte da imprensa e alguns especialistas em política internacional reforçam o temor em relação a Hugo Chávez. ''O processo de cubanização da Venezuela está em marcha (...) O fato de o presidente venezuelano, apoiado por receitas referentes à venda de petróleo, querer ser um mini-Fidel no continente sul-americano dá calafrios'', comentou na semana passada a colunista conservadora Mary Anastasia O'Grady, do The Wall Street Journal.
Miguel Díaz, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), disse que Chávez ''já fez muito para minar a democracia na Venezuela. Acho que tentará fazer o mesmo em outros países''.
Outros analistas, no entanto, acreditam que não existe o risco real de ''cubanização'' do país ou da região e que este suposto risco tem sido exagerado por funcionários americanos que mantêm uma postura linha-dura em relação a Castro. ''Cuba? Você acredita que a economia socialista cubana, não-capitalista, vai perturbar a economia mundial? (...) É irreal'', disse Joseph Tulchin, do Centro Woodrow Wilson, um centro de análise com sede em Washington.
Segundo Tulchin, a dura política americana em relação a Caracas foi formulada por anticastristas como o ex-secretário de Estado adjunto para a América Latina e ex-embaixador na Venezuela, Otto Reich, e seguida pelo seu sucessor no Departamento de Estado, Roger Noriega, e agora deixou Washington num ''beco sem saída''.


