Americanos são contra impeachment
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terça-feira, 18 de agosto de 1998
Paulo Sotero Agência Estado 
WASHINGTON - A patética confissão que o presidente Bill Clinton fez na noite de segunda-feira sobre seu caso amoroso com Mônica Lewinsky, admitindo finalmente, num discurso de quatro minutos pela televisão, ter enganado sua mulher e o país sobre uma relação não apropriada e errada que manteve com a ex-estagiária na Casa Branca entre 1995 e o ano passado, mas sem fazer um pedido explícito de desculpas, não acrescentou nada ao que os americanos já sabiam ou desconfiavam - mas foi bem recebida pela maioria.
Como costuma acontecer quando o presidente fala ao país, os índices de aprovação de Clinton continuaram altos e até subiram, passando dos 70%, de acordo com uma sondagem da rede de televisão ABC. Cerca de dois terços das pessoas ouvidas em diferentes pesquisas disseram que o escândalo não justifica um processo de impeachment de Clinton nem sua renúncia.
Embora a maioria acredite que o presidente não disse toda a verdade (46% contra 35% que opinaram o oposto, segundo a CNN e o Gallup), e que ele violou a lei (48% contra 42%, na mesma pesquisa), 63% dos americanos concordaram com a afirmação de Clinton, em seu discurso, de que seu affair com Lewinsky é um assunto privado. E por margem ainda maior, de 65%, eles se manifestaram prontos a perdoar seu presidente, dizendo que sua confissão deve encerrar o caso Lewinsky.
Com o mesmo objetivo em mente, a primeira-dama mandou sua porta-voz dizer ontem que perdoa o marido e acredita em seu casamento. Mas o escândalo e as investigações não terminarão com o discurso de Clinton ao país.
A humilhação pública sem precedentes a que o líder dos Estados Unidos foi obrigado a se submeter pelo promotor especial Kenneth Starr, reconhecendo como verdade o que negara categoricamente duas vezes há quase oito meses, quando o escândalo Lewinsky começou, pode ter sido suficiente para salvar Clinton. Mas não foi o bastante para encerrar o vexaminoso episódio que paralisa Washington desde o início do ano. E pode ter marcado o enterro de Clinton como um chefe de governo efetivo, capaz de mobilizar apoio para traduzir sua agenda política em ações, em casa, e exercer plenamente o papel de líder mundial que a pujança dos EUA confere ao presidente do país.
Embora os vários índices que medem sua alta aceitação pelo público tenham se mantido após o discurso, Clinton claramente perdeu o respeito de uma parcela importante dos americanos. Entre estes provavelmente incluem-se vários assessores-chave e líderes do Partido Democrata, que ajudaram a amplificar a mentira sustentada pelo presidente.


