Americanos protestam contra a guerra
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de março de 2004
France Presse 
Nova York - Manifestações contra a ''ocupação'' do Iraque estão previstas para amanhã em 200 cidades dos Estados Unidos, com Nova York e San Francisco à frente, um ano depois do início da guerra. ''Haverá marchas desde Anchorage no Alasca a St. Petersburg na Flórida, passando por Crawford, Texas'', perto da fazenda do presidente George W. Bush, disse à France Presse um porta-voz da coalizão pacifista Answer em Nova York, Dustin Langley.
O presidente americano estará em Orlando (Flórida, sudeste), numa reunião eleitoral. Quatro grandes manifestações estão sendo planejadas em Nova York, na Costa Leste, Chicago (centro), Los Angeles e San Francisco, berço da contracultura americana, no oeste.
Os organizadores esperam uma afluência em massa, semelhante à registrada nas manifestações que precederam a guerra, para protestar contra o custo sideral do conflito, as perdas em vidas humanas e em geral a política externa de Washington.
As maiores marchas pacifistas se realizaram no dia 15 de fevereiro de 2003, reunindo centenas de milhares de americanos, mais de 100 mil em Nova York. Os organizadores esperam amanhã dezenas de milhares de manifestantes em Nova York, em torno dos lemas ''Basta de ocupação colonial'' e ''Tragam os soldados já para casa''. Prevê-se a chegada de dezenas de ônibus, desde Vermont (nordeste) a Carolina do Norte (sudeste).
San Francisco, uma das cidades mais politizadas dos Estados Unidos, pode se seguir a Nova York, quanto ao número de manifestantes, segundo o porta-voz local da Answer, Bill Hackwell. Em Los Angeles espera-se uma participação menor, mas provavelmente com a presença de várias celebridades que há mais de um ano expressam sua opinião contra a guerra, entre elas o ator Martin Sheen e o recente ganhador de um Oscar, Tim Robbins.
O resultado das eleições espanholas e a intenção manifestada pelo eleito premiê José Luis Rodríguez Zapatero de retirar suas tropas do Iraque podem estimular os manifestantes, segundo os organizadores.
O ex-premier José María ''Aznar subiu no trem da guerra de Bush e perdeu. Agora os americanos, como os espanhóis, estão contra a ocupação do Iraque e a arrogância dos Estados Unidos e vão demonstrá-lo'', disse Bill Hackwell. ''Os níveis de popularidade do presidente Bush estão em queda livre há mais de um mês'', diz Dustin Langley, afirmando que isso deve se refletir no número de manifestantes de sábado.
Os pacifistas de sempre não faltarão ao encontro, mas a Answer espera também a presença de outros setores. Em Nova York, haverá certamente um contingente de haitianos descontentes com a presença de tropas americanas em seu país e com a controvertida partida ao exílio do presidente Jean- Bertrand Aristide.


