São Paulo - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, concedeu sua primeira entrevista a uma emissora árabe, a TV Al Arabiya, e declarou que os americanos não são inimigos do mundo muçulmano. A entrevista marcou um tom mais ameno de seu primeiro discurso, no último dia 20, no qual afirmou ''ao mundo muçulmano'' que os EUA buscam ''um novo modo de progredir''.
Na entrevista, Obama lembrou os vários anos em que viveu na Indonésia quando era criança e que suas viagens a países muçulmanos o convenceram de que, independente da fé, as pessoas têm sonhos e esperanças similares. ''Meu trabalho em relação ao mundo muçulmano é comunicar que os americanos não são seus inimigos; às vezes cometemos erros, não temos sido perfeitos'', admitiu Obama, em entrevista ao canal com sede em Dubai.
''Mas se olharmos para o passado (...) os EUA não nasceram como uma potência colonial e não há razão alguma para que não possamos renovar o mesmo respeito e vínculo que tem tido com o mundo muçulmano há 20 ou 30 anos'', enfatizou.
Durante sua campanha presidencial, Obama prometeu que melhorará os laços dos EUA com o mundo muçulmano através de uma política externa menos militarista e mais diplomática. Ele afirmou ainda que viajará a uma capital islâmica para reforçar o compromisso, promessa renovada em sua entrevista. ''Vamos manter o compromisso de que discursarei ao mundo muçulmano de uma capital islâmica'', disse Obama, sem dar maiores detalhes sobre o destino.
O presidente também foi indagado sobre o tom pessoal das recentes mensagens da rede terrorista Al Qaeda difundidas desde que foi eleito presidente em novembro. Segundo Obama, o tom ''nervoso'' das mensagens sugere que as ideias do grupo estão falidas.

Risco nuclear
Reiterando o discurso diplomático, o novo presidente afirmou ainda que os EUA oferecerão ao Irã a ''mão estendida'' se os líderes iranianos ''abrirem o punho'' - repetindo tema do discurso de sua posse.
''Como disse em meu discurso de posse se países como o Irã tiverem vontade de abrir o punho, encontrarão nossa mão estendida. É muito importante para nós nos assegurarmos de que empregamos todas as ferramentas do poder americano, incluindo a diplomacia, em nossa relação com o Irã'', acrescentou Obama.
O democrata foi duramente criticado pelo ex-rival republicano John McCain, durante a campanha pela Casa Branca, por defender o que McCain chamou de diálogo sem restrições com o presidente iraniano, Mamhoud Ahmadinejad, considerado inimigo dos EUA. ''Levaremos em conta tudo o que for necessário e apropriado em relação a manter a pressão para a meta de pôr fim ao programa nuclear do Irã'', enfatizou Obama.

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