Americanos intensificam ataques em Kerbala
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quarta-feira, 12 de maio de 2004
Abdel Amir Hanun<br>France Presse 
Kerbala, Iraque - As forças da coalizão lançaram uma ofensiva na cidade santa iraquiana de Kerbala, no centro do país, matando 22 milicianos do chefe radical xiita Moqtada al-Sadr, que manifestou desejo de morrer como mártir lutando contra a coalizão, enquanto dignitários xiitas anunciavam um acordo destinado a pôr fim aos combates.
A decapitação do civil americano Nicholas Berg, 26 anos, por seus sequestradores no Iraque provocou indignação nos Estados Unidos e no mundo inteiro. As imagens foram divulgadas em um site ligado à organização terrorista Al-Qaeda.
Segundo o presidente em exercício do Conselho do Governo Transitório, Abdel Zahra Osmane Mohammad, ''as decapitações e as mutilações são atos inadmissíveis e não têm nenhuma ligação com o Islã.
As autoridades americanas no Iraque lançaram uma investigação ''minuciosa'' sobre o sequestro de Berg, informou Dan Senor, porta-voz da coalização no Iraque.
Em relação à operação em Kerbala, o general americano Mark Kimmitt informou que o número de mortos entre os milicianos xiitas era de 22, revendo para menos um primeiro número de 25 fornecido por uma autoridade militar americana.
Segundo testemunhas, a coalizão lançou uma importante operação militar na noite da terça-feira no centro da cidade, em torno de uma mesquita controlada pelos milicianos do líder xiita Moqtada al-Sadr.
A mesquita, situada a apenas 200 metros do mausoléu do imã Hussein, lugar de peregrinação dos xiitas, tem sido cenário de tiroteios cada vez que as forças da coalizão se aproximaram dela nos últimos dias.
Em Washington, o presidente George W. Bush disse ontem que ''não há justificativa'' para a decapitação de um cidadão americano no Iraque. ''Não há justificativa para a brutal execução de Nicholas Berg. Em nenhum ''caso'', afirmou Bush.
Os executores de Berg ''nos recordam a natureza dos poucos que querem deter o avanço da liberdade no Iraque, acrescentou o presidente.''Sua intenção é minar nossa determinação. Sua intenção é minar nossa confiança, mas suas ações nos fazem recordar quão desesperadamente (algumas) partes do mundo precisam de sociedades livres e sociedades pacíficas'', afirmou. ''E completaremos nossa missão, completaremos nossa tarefa''.
O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, declarou-se ''horrorizado'' com as imagens mostradas do cidadão americano sequestrado e executado no Iraque por um grupo que disse pertencer à rede Al-Qaeda.
Dignitários de Najaf, outra cidade santa a 160 km de Bagdá, informaram ter chegado a um acordo de sete pontos destinado a pôr fim aos combates. O acordo, que precisa ser aprovado pela coalizão para ter uma possibilidade de aplicação, recebeu sinal verde dos grandes aiatolás de Najaf, segundo Mohamad Musaui, representante da Organização de Ação Islâmica.
Segundo Musaui, um desses pontos fala da formação de uma força integrada por habitantes de Najaf e controlada pelo governador para proteger a cidade, e o segundo referente à transformação da milícia de Moqtada al-Sadr, o exército de Mehdi, em organização política.
O terceiro ponto fala de um adiamento das ações judiciais contra al-Sadr, acusado de ter eliminado um adversário político em 2003, até a formação de um governo eleito.
O quarto ponto retoma uma exigência de Moqtada al-Sadr, a retirada das forças da ocupação dos arredores dos locais santos nas cidades xiitas do centro do Iraque.
Entretanto, poucas horas depois da divulgação desse acordo, Moqtada al-Sadr concedeu uma entrevista à imprensa em Najaf e afirmou que continuará combatendo as tropas americanas que ocupam o Iraque e que deseja morrer como mártir.
Moqtada assinalou porém que dissolverá sua milícia se receber um pedido nesse sentido das autoridades religiosas.''Estamos preparados para enfrentar qualquer escalada americana e não esperem outra coisa de parte da ocupação americana'', disse Moqtada al-Sadr no mausoléu do imã Ali em Najaf.
Em outro confronto, quatro civis filipinos morreram em um ataque com morteiro contra uma base americana em Balad, no norte do Iraque, elevando a cinco o número de filipinos que perderam a vida em território iraquiano desde o início da invasão americana. Além disso, um militar do Corpo da Defesa Civil Iraquiano (ICDC - auxiliar do exército) morreu ao ser atingido por disparos de desconhecidos perto de Baaquba (norte).
Em Bagdá, as autoridades da coalizão entregaram ontem aos iraquianos o Ministério das Relações Exteriores, antes da transferência do poder prevista para 30 de junho.


