Bauru - Depois de declarar uma batalha contra os responsáveis pelo assassinato do presidente Jovenel Moïse, as autoridades do Haiti prenderam mais suspeitos do crime nesta quinta-feira (8). Na noite de quarta (7), quatro criminosos foram mortos, e outros dois, detidos.

Centenas de moradores se reuniram do lado de fora da delegacia onde os suspeitos estão detidos em Porto Príncipe, capital do Haiti
Centenas de moradores se reuniram do lado de fora da delegacia onde os suspeitos estão detidos em Porto Príncipe, capital do Haiti | Foto: Valerie Baeriswyl/AFP

Com as novas detenções, o número de capturados chegou a seis, o que inclui pelo menos um cidadão americano, de acordo com o relato de Mathias Pierre, ministro haitiano responsável por assuntos eleitorais, ao jornal "Washington Post".

Segundo Pierre, um homem americano identificado como James Solages está entre os presos, e acredita-se que pelo menos mais um dos detidos seja um cidadão haitiano-americano. As autoridades, no entanto, ainda não forneceram evidências do suposto envolvimento dos detidos no assassinato de Moïse.

A possibilidade de interferência americana já havia sido apontada pelo embaixador haitiano nos EUA, Bocchit Edmond. Segundo ele, os criminosos que invadiram a casa de Moïse alegavam ser membros da agência ​americana antidrogas (DEA, na sigla em inglês). Horas depois, Ned Price, porta-voz da diplomacia americana, refutou a teoria e classificou as acusações de "absolutamente falsas".

Em um pronunciamento transmitido pelas emissoras haitianas, o diretor-geral da polícia, Leon Charles, disse que as forças de segurança do país estão empenhadas em uma operação para prender ou matar os membros do grupo responsável pelo ataque ao presidente e à primeira-dama, Martine. Segundo Charles, a maior preocupação agora é achar os mentores da ação. Ele também pediu que a população ajude os policiais e evitem causar tumultos.

Centenas de moradores se reuniram do lado de fora da delegacia onde os suspeitos estão detidos em Porto Príncipe, capital do Haiti, gritando "queimem-nos" e ateando fogo a um veículo que presumiram ser dos assassinos. A ação, que se soma a um longo histórico de manifestações violentas nas ruas haitianas, levou o premiê interino, Claude Joseph, a fazer um apelo para que a população não linche os suspeitos.

As autoridades não divulgaram informações sobre as possíveis motivações do crime nem sobre a identidade dos agressores, mas de acordo com outro ministro — Pradel Henriquez, das Comunicações—, os detidos são estrangeiros. A hipótese já havia sido levantada por Joseph, que disse que os criminosos foram ouvidos falando em inglês e espanhol, o que indicaria que não são haitianos, já que os idiomas oficiais do país são o francês e o crioulo.

Segundo a imprensa local, citando o juiz encarregado do caso, Moïse foi encontrado com ao menos 12 marcas de tiros. “O escritório e a sala foram saqueados. Nós o encontramos deitado de costas, [usando] calça azul, camisa branca manchada de sangue, boca aberta, olho esquerdo furado”, disse o magistrado Carl Henry Destin ao jornal haitiano "Le Nouvelliste".

Uma filha do casal, Jomarlie, estava em casa durante o ataque, que ocorreu na madrugada, mas conseguiu se esconder num dos quartos. A primeira-dama, também baleada, foi transferida para receber tratamento em Miami e, segundo Joseph, está fora de perigo e em situação estável.

O país está em luto oficial por duas semanas. Enquanto isso, uma nova crise se desenha no alto escalão do governo, desta vez em torno do nome que deve suceder o líder autoritário.

Joseph, o premiê interino, tem sido, na prática, o chefe de Estado. Foi ele quem anunciou a morte de Moïse, divulgou informes sobre o estado de saúde da primeira-dama, fez apelos à comunidade internacional e ao Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e disse estar no comando do país.

Nomeado primeiro-ministro em abril, tornou-se o sexto a ocupar o cargo sob a liderança de Moïse. Dois dias antes de ser assassinado, no entanto, o presidente fez outra indicação: o neurologista Ariel Henry deveria substituir Joseph e se tornar o novo premiê nesta quarta-feira.

O ataque ao presidente, porém, impôs-se como prioridade, de modo que Henry não foi oficializado no cargo. Mas a ausência de uma cerimônia formal de posse não o impediu de se considerar o novo premiê.