Americano é condenado na Rússia
O empresário americano Edmond Pope foi condenado ontem por um tribunal russo a 20 anos de prisão por espionagem. Pope, de 54 anos, ex-oficial da Marinha americana, é acusado de ter obtido ilegalmente os planos secretos de um torpedo de última geração. Proprietário de uma empresa especializada em tecnologia marítima, Pope, julgado a portas fechadas desde o dia 20 de outubro, reiterou ontem sua inocência antes do anúncio da sentença. Apesar de ter passado oito meses na prisão na Rússia, não sou espião. A única decisão que os senhores deveriam tomar é enviar-me para casa e para minha família, disse Pope, segundo seu advogado Pavel Astakhov, que qualificou a sentença, da qual tem uma semana para apelar, de injusta e subjetiva. Astakhov disse que desde 1937, na grande época da repressão stalinista, não havia uma sentença desse tipo. O tribunal, no entanto, rejeitou o pedido do promotor Yuri Volguin de um pagamento de US$ 252 milhões à indústria russa de defesa para cobrir os danos e prejuízos pela divulgação dos supostos segredos de Estado. A mulher de Pope, Cheri, escreveu na terça-feira uma carta ao presidente russo, Vladimir Putin, pedindo que seu marido seja enviado a um hospital imediatamente, pois ele sofre de um raro tipo de câncer nos ossos e sua saúde se deteriorou recentemente. Os Estados Unidos exortaram ontem o governo russo a libertar Pope por razões humanitárias. O veredicto é injustificável, é um nítido erro que ensombrece nosso relacionamento, disse o porta-voz da Casa Branca P.J. Crowley, acrescentando que o presidente Bill Clinton, que já interveio quatro vezes diretamente em favor de Pope, está acompanhando o caso de perto.





