Genebra - A América Latina tem mais de 1,7 milhão de pessoas portadoras do vírus da Aids (HIV), com um número cada vez maior de mulheres contaminadas, informou o relatório 2004 do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV (ONUAids) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que foi divulgado ontem, em Genebra. ''Na região há atualmente cerca de 610 mil mulheres vivendo com o vírus da Aids'', acrescenta o documento.
Em 2004, cerca de 95 mil pessoas morreram de Aids na região e outras 240 mil foram infectadas. Na América Latina, o Brasil é o país que proporcionalmente tem mais pessoas contaminadas com o vírus da doença, com um terço do total da região. ''No início, a Aids afetou principalmente homens que tinham relações sexuais com outros homens e depois os consumidores de drogas injetáveis. Mas agora a epidemia se tornou mais diversificada'', observou.
Para especialistas, o Brasil continua sendo mesmo assim uma referência entre os países em desenvolvimento. Através de seu sistema nacional de sa© úde, continua oferecendo acesso a medicamentos anti-retrovirais para todas as pessoas portadoras do HIV. ''Por isso, a expectativa de vida dos pacientes com Aids tem aumentado espetacularmente'', dizem.
No entanto, as formas de transmissão da doença estão mudando. ''Enquanto nos anos 80 e grande parte da década de 90 a transmissão era principalmente por consumo de drogas injetáveis, hoje se acredita que a transmissão por ato sexual do vírus em especial entre consumidores de drogas injetáveis e seus parceiros representa 80% de todos os casos notificados de Aids'', destaca a ONUAids.
Na América Central, ''o número de infecções pelo HIV tem aumentado em diversos países (incluindo El Salvador, Nicarágua e Panamá) desde finais dos anos 90, embora a máxima incidência do HIV ainda corresponda à Guatemala e Honduras'', indica o documento, ressaltando que ''o país mais afetado da região é Honduras''. Em vários países, destaca, ainda persiste uma incompatibilidade entre as prioridades de gasto com prevenção e a evolução das epidemias nacionais.
A expectativa de sobrevivência tem aumentado. ''Os casos de Aids e a mortalidade têm diminuído em vários países, incluindo a Argentina, a Costa Rica e o Panamá, após a ampliação do acesso ao tratamento anti-retroviral'', conclui o relatório.(AFP)

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