América Latina manterá desigualdade
Estudo da Cepal divulgado em Santiago mostra que não haverá evolução social na América Latina nos próximos dez anos
Enrique Fernández
France Presse
A América Latina se manterá nos próximos 10 anos como uma das regiões mais atrasadas na distribuiução de renda, com 200 milhões de pobres que representam 39% de sua população, advertiu um estudo da Cepal difundido ontem em Santiago.
Embora a partir de 1995 o Pib dos países latino-americanos tenha crescido uma média anual superior a 3%, a distribuição da riqueza entre seus habitantes ‘‘não melhorou de maneira apreciável em nenhum dos países sobre os quais se dispõe de cifras’’, afirmou a Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe).
Segundo essas estatísticas, consignadas no ‘‘Panorama Social da América Latina’’, em 1980 trinta e cinco por cento de sua população viviam em condições de pobreza, com as rendas mínimas para subsistir, enquanto em 1994 a cifra se elevou a 39%.
A população na indigência, que carece de rendas básicas e entra na mendicidade, aumentou de 9% em 1980 a 12% em 1994.
‘‘A distribuição de renda predominante nos países latino-americanos determina que a região seja considerada, no âmbito mundial, como uma das mais atrasadas em termos de equidade’’, assinalou o estudo.
‘‘Ainda que em condições de crescimento econômico sustentado - acrescentou a Cepal -, nos próximos 10 anos será difícil conseguir melhoras expressivas na distribuição de renda da maioria dos países da região’’.
O informe destacou o caso do Chile, que nos últimos oito anos elevou numa média anual de 7% seu Pib, além de controlar a inflação e levar investimentos a outros países.
No entanto, em meio a este dinamismo, no Chile ‘‘persiste a acentuada concentração de renda, derivada dos processos de reforma’’ do sistema econômico liberal, indicou o documento.
‘‘Um único país, Uruguai, mostra uma melhora simultânea na redução da pobreza e na distribuição de renda’’, disse, ao apresentar o estudo, o secretário-executivo da Cepal, o economista colombiano José Antonio Ocampo.
A desigualdade na distribuição da riqueza coincide com as diferenças educacionais que se observam na América Latina, onde os jovens conseguem maior preparo do que seus pais mas não têm acesso aos mesmos trabalhos, porque as exigências agora são maiores.
‘‘Não há avanços efetivos nas oportunidades efetivas de educação para os jovens’’, advertiu Ocampo.

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