Guatemala - Especialistas de 16 países da América Latina analisaram na Guatemala estratégias para o combate à pobreza e à fome que atingem mais de 200 milhões de latino-americanos. O encontro terminou ontem à noite com um pronunciamento do presidente Lula que hoje se reunirá com seus colegas da América Central e da República Dominicana.
Os especialistas, que participam da Conferência Latino-americana sobre a Fome Crônica, concordam que planos e estratégias para enfrentar este problema só terão sucesso se a população afetada participar da elaboração e efetivação das políticas a serem implementadas.
''Não podem ser políticas assistenciais verticalistas. Temos que envolver a população afetada e, nesse sentido, a cooperação internacional tem que acompanhar as soluções técnicas adotadas pelos governos'', afirmou a diretora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na Guatemala, Gladys Acosta.
Além disso, é necessário promover um diálogo profundo com partidos políticos, diferentes lideranças sociais e entidades acadêmicas, para que toda a sociedade participe, informou a representante do Unicef.
O custo do combate aos efeitos da fome, como a subnutrição infantil e materna, chega aos 30 bilhões de dólares anuais, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). O secretário adjunto da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), David Harcharik, denunciou na Guatemala que a América Central está 40 anos atrasada no esforço de redução pela metade da fome e da pobreza, como estabelecem as metas do Milênio da ONU.
''No ritmo atual, estamos a 40 anos de alcançar esse objetivo'', das metas do Milênio na região, afirmou o especialista ao participar da ''Conferência Latino-americana sobre a Fome Crônica'', iniciada no domingo.
Harcharik apresentou uma análise da ''situação, tendências e o impacto da fome na América Latina'', onde alertou sobre o lento avanço da região na luta contra a pobreza, principal causadora da fome.
O secretário adjunto da FAO recomendou o aumento do investimento social e da vontade política dos governos no combate às consequências da desnutrição que afeta 20% dos 35 milhões de habitantes centro-americanos, segundo dados da mesma entidade.
De acordo com o especialista, nos últimos anos observou-se uma redução da fome e da pobreza no Caribe e na América do Sul, mas na ''América Central houve um grande aumento, em vez da diminuição, como estabelece o compromisso'' firmado com a ONU em 2000.

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