Mônica Yanakiew
Agência Estado
De Washington
Os 25 mil guerrilheiros e paramilitares, que forjaram uma aliança com os narcotraficantes e estão em guerra com o governo da Colômbia, segundo os Estados Unidos, representam hoje muito mais que um problema colombiano. São uma ameaça para toda a América Latina e também para os interesses estratégicos e econômicos dos Estados Unidos, que no final do ano perderá o controle sobre o Canal do Panamá.
Ontem, o diretor do Escritório de Política Nacional para o Controle de Drogas dos EUA, general Barry McCaffrey, admitiu que a estratégia norte-americana em relação à Colômbia precisa ser revista com urgência.
Ele explicou que, além de estar atuando em território panamenho, os guerrilheiros colombianos estão também cruzando as fronteiras do Brasil, do Equador, da Venezuela e do Peru.
‘‘Precisamos realizar um esforço conjunto se quisermos controlar a situação’’, disse McCaffrey. Foi justamente para buscar apoio para uma iniciativa internacional, que o general visitou a Colômbia, o Equador e a Venezuela na semana passada. No final deste mês, anunciou, visitará o Brasil, a Argentina, o Peru e a Bolívia, a pedido do presidente dos EUA, Bill Clinton.
‘‘Queremos ouvir o que esses países têm a dizer e quando o Congresso voltar do recesso (em setembro) discutiremos uma nova política para a Colômbia’’, disse McCaffrey. Mas qualquer intervenção militar, ressaltou, está descartada.
Tanto McCaffrey, quanto os deputados republicanos Benjamin Gilman (Nova York) e Dan Burton (Indiana) que voltaram recentemente da Colômbia, fizeram uma longa lista dos riscos que as guerrilhas e os narcotraficantes colombianos representam. Mas ao lado dos parlamentares, o general foi moderado.
Burton traçou um panorama negro para a região e culpou o governo Clinton por deixar a situação escapar de seu controle. Ao desativarem a base militar de Howard no Panamá, em maio passado, e entregar o controle do canal ao governo panamenho, no final do ano, os EUA correm sérios riscos - disse o deputado. Entre eles, o de ver ‘‘os narcoguerrilheiros’’ colombianos controlarem as águas por onde navegam os barcos levando petróleo venezuelano aos portos americanos.
Os deputados cobraram do general maior apoio logístico à polícia da Colômbia, que precisa de helicópteros e treinamento para lutar contra a guerrilha e os traficantes de drogas. McCaffrey lamentou que os EUA não tiveram êxito em negociar a manutenção de algum tipo de presença no Panamá. Mas disse que novas negociações serão iniciadas e que no momento é importante obter consenso para uma estratégia internacional.Aliança entre narcotraficantes e guerrilheiros colombianos também ameaçaria ‘‘os interesses estratégicos e econômicos dos EUA’’
France PresseGuerra civilSoldados recolhem cadáveres após combate. Guerrilha estaria recebendo apoio do narcotráfico segundo os EUA

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