América Latina deve se voltar para Europa
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de março de 1997
France Presse 
PARIS - A América Latina tem que estabelecer com a Europa um vínculo muito forte e não se fechar numa integração regional exclusiva com os Estados Unidos, afirmou ontem o presidente francês Jacques Chirac em declarações à emissora francesa Radio France Internationale (RFI).
O chefe do Estado francês inicia terça-feira uma visita de oito dias aos quatro países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e à Bolívia.
O futuro da América Latina não está no eixo norte-sul, está na Europa, por razões históricas e culturais, por adesão aos mesmos valores, ao mesmo tipo de humanismo, mas também pelas mesmas complementaridades econômicas, disse Chirac.
Após destacar que a União Européia era o primeiro sócio econômico do Mercosul, Chirac assinalou que há laços muito fortes e um equilíbrio que se impõem naturalmente, e que consistem em ter um vínculo muito forte entre a América do Sul e a Europa.
A América Latina compreende perfeitamente que seu interesse não é se fechar numa integração regional exclusiva. Sua vocação não é ser uma parte do Tratado de Livre Comércio Americano, mas é estar presente no mundo, aberta ao mundo, e seu interesse essencial econômico, os intercâmbios, os investimentos, ajuda, não é para os Estados Unidos, mas para a Europa, declarou Chirac.
A propósito do problema da droga - Bolívia é um dos principais países produtores de coca -, o presidente francês estimou que fazia falta uma ação muito mais forte, e que consumidores e produtores cessem de recriminar mutuamente suas responsabilidades.
É um problema global, todos temos nossas responsabilidades, não há apenas um responsável, todo o mundo é responsável, disse Chirac, ao assinalar que as autoridades de La Paz eram extremamente positivas e cooperadoras.
Chirac defendeu finalmente a idéia de um mundo pluricultural e plurilinguístico, convidando particularmente aos que falam francês, espanhol ou português a se entenderem para criar redes de comunicação, e as redes de informação que permitem difundir, a cada um, nossas línguas e culturas.


