América Latina cria bloco sem EUA e Canadá
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Folhapress 
São Paulo- Os países de América Latina e Caribe aprovaram ontem, em cúpula regional no México, a criação de um novo bloco regional, sem os Estados Unidos e o Canadá. Os estatutos da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos serão definidos apenas em 2011, em reunião em Caracas (Venezuela), anunciou o presidente do México, Felipe Calderón.
O grupo, considerado uma versão B da OEA (Organização dos Estados Americanos), ''deverá, prioritariamente, impulsionar a integração regional com o objetivo de promover nosso desenvolvimento sustentável, de impulsionar a agenda regional em fóruns globais, e de ter um posicionamento melhor frente aos acontecimentos relevantes mundiais'', disse Calderón ao ler parte da declaração final.
Calderón inclui ainda na lista de tarefas do novo grupo defender os direitos humanos e a democracia e ampliar a cooperação entre a América Latina e os países do Caribe.
A criação do novo bloco ''é de transcendência histórica'', completou o presidente cubano, Raúl Castro, durante a sua participação na Calc (Cúpula da Unidade da América Latina e Caribe). ''Cuba considera que estão dadas as condições para se avançar com rapidez na constituição de uma organização regional puramente latino-americana e caribenha''.
O grupo foi criado para que a região tenha uma voz uníssona nos fóruns multilaterais. O maior apoio á iniciativa vem dos dos presidentes de esquerda da região, como o venezuelano Hugo Chávez e o boliviano Evo Morales, que defendem o novo organismo como uma opção ao ''imperialismo'' dos Estados Unidos.
A ideia é que o novo organismo reúna o Grupo do Rio e a Comunidade do Caribe (Caricom), funcionando paralelamente à OEA, criticada no seu papel de guardiã da democracia regional depois dos seus infrutíferos esforços para reverter o golpe de Estado de junho em Honduras.
Aos olhos dos especialistas, a OEA não conseguiu por completo integrar uma região dividida entre esquerda e direita. Cuba se nega a reintegrar o organismo, depois de uma suspensão de quase meio século por pressões dos EUA.
Antes da criação do novo grupo regional, autoridades americanas minimizaram os efeitos da Comunidade na OEA. O secretário geral da OEA, José Miguel Insulza, afirmou em entrevista à rede americana CNN que o novo bloco não competiria com a organização. ''Não vejo assim. Se trata mais de caminhar e estimular a integração. A OEA tem um papel importante a desempenhar em coisas de caráter hemisférico'', declarou Insulza.
Na véspera, o número um da diplomacia americana para a América Latina, Arturo Valenzuela, e o embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon, utilizaram mesmo tom.
Valenzuela disse ontem que o projeto de criação de um bloco que não tenha participação dos Estados Unidos não incomoda e descartou que esse eventual novo bloco de 32 países suplante a OEA.
Já Shannon disse, durante encontro na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que nada pode substituir a OEA. ''OEA é OEA, um espaço sumamente importante para que todos os países do hemisfério possam ter um diálogo político. Esta importância só vai aumentar com o tempo. A capacidade das Américas, diferentes Américas, Caribe, América Central, América do Sul, de dialogar é uma coisa boa e vamos apoiar''.


