Roma - América Latina registrou avanços na luta contra a fome, segundo o informe anual da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que denuncia um grave retrocesso em outros continentes. ''A fome está aumentando novamente após a redução que tinha ocorrido durante a primeira metade dos anos 90'', afirma o relatório para 2003.
Segundo as estimativas da FAO, não será possível conseguir o objetivo fixado pelos chefes de Estado e de governo na Cúpula Mundial sobre a Alimentação -realizada em 1996 - de reduzir pela metade o número de pessoas subnutridas para 2015. ''Depois de ter reduzido em 37 milhões o número de pessoas famintas nos países em desenvolvimento durante a primeira década dos 90, a cifra agora aumentou 18 milhões na segunda metade da década'', diz o relatório.
Os técnicos das Nações Unidas reconhecem, porém, que em alguns países os métodos aplicados para reduzir a fome estão produzindo resultados, e dão como exemplo vários países da América Latina e do Caribe, entre eles Brasil, Panamá e Haiti. ''A única região que mostrou avanços na luta contra a fome foi a da América Latina e Caribe'', assinala a FAO, que antecipa uma série de projetos pilotos com os governos para reduzir a fome no Brasil e na América Central.
Vinte e dois países, entre eles Bangladesh, Haiti e Moçambique, conseguiram temporariamente mudar a tendência contra a fome.
Segundo os últimos dados da entidade, relativos ao biênio 1999-2001, existem 842 milhões de pessoas subnutridas no mundo, das quais 10 milhões se acham nos países ricos, 34 nos países em transição para a economia de mercado e 798 milhões nos países em desenvolvimento.
Só 19 países, entre eles a China, conseguiram reduzir o problema da fome na década dos 90, segundo o informe, que denuncia a deterioração da situação em 26 países, onde o número de pessoas subnutridas aumentou 60 milhões no mesmo período.
''O problema não é a falta de alimentos mas a falta de vontade política para lutar contra a fome'', escreveu o diretor-geral da FAO, o senegalês Jacques Diouf, na apresentação do documento.
Para a FAO, que há mais de 40 anos se encarrega da questão, ''a fome e a Aids são companheiras mortais''.
Outro problema grave que contribui para aumentar a fome no mundo, segundos os técnicos da ONU, é a seca. ''África ilustra bem isso já que é o continente mais seco e é a região onde a fome é mais frequente'', sustenta o texto.
A FAO dedica um capítulo especial ao delicado tema do comércio mundial e assinala: ''O comércio internacional pode ter um impacto chave na redução da fome e da pobreza nos países em desenvolvimento''.

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