América do Sul apóia Evo Morales em massa
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2006
France Presse 
La Paz - O líder cocaleiro Evo Morales prestou juramento ontem como presidente da Bolívia, durante uma cerimônia no Congresso e diante de inúmeros convidados internacionais. Ele prestou juramento com a mão esquerda erguida e a direita no peito. Morales recebeu a faixa presidencial do presidente interino Eduardo Rodríguez durante o ato em que usava um terno adornado com um lenço de tecido andino em substituição à gravata tradicional. Nas ruas, além da bandeira oficial da Bolívia, viam-se também milhares de bandeiras da etnia aymara, à qual Morales pertence. No sábado, antes da posse oficial, o novo presidente da Bolívia também participou de um ritual indígena em Tiwanaku, a 70 kms de La Paz, onde foi considerado ''Chefe Absoluto dos Andes''. Do ritual participaram representantes das nações quechua e yamara, etnia à qual pertence Morales.
A presença de oito presidentes sul-americanos na posse oficial de Evo Morales demonstra o apoio que o novo presidente boliviano tem na região, onde vários de seus aliados já se comprometeram com ofertas de ajuda dos mais variados tipos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva antecipou esse oferecimento de cooperação dos países da região para com a administração de Morales.
Em sua chegada para a cerimônia de posse, Lula anunciou que apresentará propostas a seus colegas sul-americanos para colaborar com o governo de
Morales.
''Seria importante que, nos primeiros dias de seu governo, se constituísse uma equipe e todos os países, Chile, Brasil, Peru, Argentina, Venezuela, preparem um programa de coisas que são prioridade e nas quais podemos ajudar'', assinalou.
Com muitas afinidades ideológicas com o líder cocaleiro, Lula destacou que ''todos querem ajudar Evo Morales''. O presidente brasileiro também saudou a evolução da democracia na América Latina e destacou a origem de Morales, eleito num país de maioria indígena.
Além de Lula, Morales também tem fortes laços ideológicos com os presidentes da Argentina, Néstor Kirchner, da Venezuela, Hugo Chávez, e do Uruguai, Tabaré Vázquez, que não esteve presente à cerimônia de posse.
Outros presidentes, distantes ideologicamente de Morales, como o peruano Alejandro Toledo, também anunciaram sua decisão de cooperar com o novo governo. O maior dos apoios foi, no entanto, oferecido pelo presidente Chávez, que prometeu cooperação gasífera, petroleira, tecnológica e agrícola.
''Estamos começando uma nova era na América Latina'', declarou Chávez, acrescentando que o grande Gasoduto do Sul, um projeto promovido com a Argentina e o Brasil, ''não pode deixar a Bolívia de lado''.
Chávez e os presidentes da Argentina e do Brasil acertaram, na quinta-feira, em Brasília, a construção de um Gasoduto do Sul que visa unir a Venezuela com a Argentina, passando pelo Brasil e pelo Uruguai, para interconectar estes países.
O presidente venezuelano definiu o gasoduto como um projeto ''de vital importância'' para o futuro dos povos e a união sul-americana.
A futura aliança foi definida por Chávez como o ''eixo do futuro''.
Em recente visita a Buenos Aires, Morales encontrou também a solidariedade de Kirchner para desenvolver projetos de cooperação bilateral. ''Viemos apoiar Morales'', disse o argentino à imprensa em La Paz, antes de romper o protocolo e saudar a população e beijar crianças na Praça das Armas de La Paz.
Toledo manifestou que continuará cooperando com a Bolívia, apesar das críticas internas causadas por esta atitude em seu país, onde é questionada uma doação de um milhão de dólares para reabilitar a cidade de El Alto depois de uma rebelião popular que provocou a morte de 60 civis em choques com o Exército, assim como a renúncia do presidente liberal Gonzalo Sánchez de Lozada, em outubro de 2003. Em El Alto vivem cerca de 50.000 peruanos, segundo Toledo, mas dados extra-oficiais apontam 200.000.
Muito significativa também foi a presença de Ricardo Lagos na posse de Morales por se tratar do primeiro presidente do Chile a visitar oficialmente nos últimos 50 anos a Bolívia, país com o qual Santiago não tem relações diplomáticas desde 1978 por causa de divergências marítimas. O Chile impediu o acesso ao Oceano Pacífico à Bolívia, desencadeando a crise. ''Vamos trabalhar para o bem-estar de nossos povos e por justiça social'', afirmou Lagos, depois de se reunir com Morales.


