Ameaças não evitam protestos
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sexta-feira, 27 de dezembro de 1996
Reuter 
BELGRADO - A polícia antidistúrbiosda Sérvia reprimiu cerca de 30 mil militantes oposicionistas que, desafiando o mau tempo e as determinações do governo, voltaram às ruas de Belgrado ontem para protestar contra o presidente Slobodan Milosevic.
Milhares de policiais foram enviados às ruas para fazer cumprir as ordens do Ministério do Interior, que proibiu manifestações da oposição e dos estudantes. Os policiais não intervieram em uma marcha de 5 mil estudantes, que acontecia a algumas quadras de distância, mas foram duros com os militantes da oposição que haviam bloqueado a principal rua do centro da capital na área em frente à sede da Zajedno.
A manifestação foi confinada a uma área restrita a pedestres na Praça da República. A polícia se defendeu com escudos e usou cassetetes para dispersar os mais resistentes, mas segundo testemunhas não aplicou muita força. Os três líderes da Zajedno - Zoran Djindjic, Vuk Draskovic e Vesna Pesic - afirmam terem sido ameçados de prisão. Durante a manifestação, contudo, eles subiram em palanque improvisado e discursaram para os militantes. Vocês podem imaginar um país em que o presidente, depois de perder eleições municipais, tenta provocar uma guerra civil? Imaginem se ele perdesse as eleições presidenciais: provocaria uma guerra! - afirmou Djindjic.
Estas são as manifestações mais longas da história moderna do planeta, disse ele, para indagar: É por que somos o melhor povo do mundo ou por que nossas autoridades são as piores do mundo? Draskovic, por sua vez, exigiu a renúncia de Milosevic e convocou uma nova passeata. Se fizer bom tempo marcharemos, caso contrário faremos um comício, afirmou. Podem estar seguros, só a persistência nos levará à vitória.


