Ameaçadas as relações diplomáticas
O ministro do Exterior chileno, José Miguel Insulza, estimou ontem que as relações entre seu país e a Grã-Bretanha poderão ser afetadas pelo caso Pinochet, ao mesmo tempo em que descartou, pelo menos no momento, uma ruptura das relações diplomáticas.
Temos sido amigos e aliados próximos durante 175 anos mas, certamente, ninguém pode garantir que isto continuará assim se o processo judicial contra Pinochet se prolongar por mais tempo, destacou Insulza à rádio BBC.
O ministro das Relações Exteriores chileno, que começou uma viagem pela Europa com o objetivo de tentar pressionar Londres e Madri para obter a volta ao país do senador vitalício, não se opõe, no entanto, a medidas drásticas como a ruptura das relações diplomáticas, inclusive, se o governo britânico der sua aprovação ao processo de extradição para o ex-chefe da junta militar chilena.
Achamos que não seria apropriado, disse Insulza.
É claro que há muitas coisas que poderiam acontecer, continuou, mas sem entrar em detalhes.
Insulza, que esteve exilado durante a ditadura militar de Augusto Pinochet, disse compreender a emoção que as vítimas da ditadura sentem.
Compreendemos perfeitamente as preocupações do povo em relação aos direitos humanos, mas o povo chileno tem o direito de decidir de que forma enfrenta seu passado, disse o ministro.
Insulza lembrou que existem 14 processos apresentados contra o ex-ditador e que estes são instruídos no Chile por um juiz e que o general não se beneficia de nenhuma imunidade ou anistia em seu país.
Estes processos continuam e penso que terminarão em Justiça, disse Inzulsa.
Sem visitaO ministro chileno José Miguel Insulza recusou-se ontem a visitar o general Pinochet, por temor de reações em seu país.
Insulza destacou, durante entrevista à imprensa na capital britânica que sua visita poderia semear a discórdia no Chile, onde a detenção do ex-chefe da Junta Militar reavivou as paixões dos que são a favor e dos que são contra Pinochet.
Insulza deve viajar amanhã para a Espanha, país que pediu a extradição do senador vitalício a fim de julgá-lo por genocídio e tortura, entre outros crimes.France-PresseApoioMulher ostenta retrato de Pinochet em apoio ao ex-ditador, em SantiagoFrance-Presse





