Paris - O presidente francês, Nicolas Sarkozy, condiciona sua participação na abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim a três condições, uma das quais é o início de um diálogo entre a China e o Dalai Lama, disse a secretária de Estado de Direitos Humanos da França, Rama Yade, ao jornal Le Monde ontem.
Sarkozy ''tomará sua decisão em função da evolução dos acontecimentos atuais e se manifestará depois de consultar nossos sócios europeus, pois nesse momento a França ocupará a Presidência semestral da União Européia'', disse Rama Yade em uma entrevista concedida ao diário.
''No entanto, três condições são indispensáveis para que vá (a Pequim): o fim da violência contra a população e a libertação dos presos políticos, o esclarecimento dos acontecimentos no Tibete e a abertura de um diálogo com o Dalai Lama'', acrescentou.
O Dalai Lama, líder do budismo tibetano e Prêmio Nobel da Paz, que vive exilado na Índia desde 1959, é considerado pela China o instigador dos graves distúrbios que eclodiram no mês passado no Tibete e em enclaves tibetanos de outras províncias chinesas.
O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, repetiu ontem que não se arrepende de ter concedido a organização dos Jogos Olímpicos a Pequim, e considerou que não é o momento para um boicote. ''Dissemos muitas vezes que o COI considera que foi uma decisão correta ter concedido os Jogos a Pequim, e não nos arrependemos'', disse ele em Cingapura.
''Pequim tem uma proposta excelente, provavelmente a melhor de todas as propostas. Queremos qualidade para os Jogos, e com Pequim temos qualidade'', acrescentou.
Em relação ao boicote, Rogge disse que ''não é o momento''. ''Há rumores sobre um boicote potencial à cerimônia de abertura, mas não quero comentar nada a respeito'', sentenciou o presidente do COI.''Os chefes de governo é que devem decidir se vão ou não a Pequim. É algo no qual o COI não intervém'', acrescentou.

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