Ameaça de ataque da Otan amplia a tensão
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de março de 1999
Reuters 
Diante da iminência de um ataque das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) nos Bálcãs, a tensão crescia ontem na província sérvia de Kosovo, de onde observadores internacionais começavam a partir e fontes da maioria étnica albanesa denunciavam novos ataques contra a população civil desfechados por policiais sérvios.
A deterioração da situação na província separatista se seguiu ao fracasso total das conversações de paz encerradas na sexta-feira em Paris por líderes do governo sérvio e representantes dos albaneses de Kosovo - entre os quais se incluem dirigentes da guerrilha separatista Exército para a Libertação de Kosovo (ELK).
A Otan havia ameaçado com ataques em grande escala contra objetivos da Iugoslávia (formada pelas repúblicas da Sérvia e de Montenegro), caso o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, não aceitasse o plano de paz proposto pelos países ocidentais, que contemplava a concessão de ampla autonomia para Kosovo e o envio de tropas da aliança atlântica para verificar o cumprimento do cessar-fogo. Logo depois de o plano ter sido rejeitado pelo governo de Milosevic, cerca de 1,4 mil observadores internacionais, que estavam na província há cinco meses, receberam ordens para deixar o local e partiram para a vizinha Macedônia. Segundo testemunhas, o último desses estrangeiros abandonou Kosovo por volta do meio-dia de ontem.
Ao mesmo tempo, o Centro de Informação Albanês, em Pristina, informou que forças sérvias atacavam simultaneamente vários povoados no norte e no centro da província. A agência de notícias do ELK, a Kosova Press, informou que 85 veículos militares sérvios chegaram às regiões centrais de Komorane e Glogovac, das quais os sérvios passaram a bombardear os povoados vizinhos com artilharia pesada.


