Ambientalista queniana ganha Nobel da Paz
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sexta-feira, 08 de outubro de 2004
Pierre Henry Deshayes<br> France Presse 
Oslo - Ao conceder ontem o prêmio Nobel da Paz para a queniana Wangari Maathai, o Comitê Nobel estendeu aos ecologistas o campo dos premiados e, ao mesmo tempo, evitou questões que incidem na campanha presidencial americana. ''É a primeira vez que a questão do meio ambiente está verdadeiramente inscrita na ordem do dia para a atribuição do Prêmio Nobel da Paz'', disse Ole Mjoes, presidente do Comitê Nobel.
O Comitê desconcertou aqueles que previam uma ''vitória'' dos trabalhos contra a proliferação nuclear e, pelo segundo ano consecutivo, se aventurou num campo inexplorado. Maathai é a primeira africana e ecologista a ganhar o prêmio e sucede a iraniana Shirin Ebadi, primeira muçulmana a obter este reconhecimento.''Isto corresponde a um novo esquema, que consiste em recompensar indivíduos pouco conhecidos que se dedicam a boas causas'', comentou Stein Toennesson, diretor do Instituto de Pesquisa pela Paz.
Renovado amplamente no ano passado, o Comitê Nobel tem três mulheres entre seus cinco membros e está ''menos interessado em política internacional que os precedentes'', explicou Toennesson. Maathai e Ebadi, relativamente pouco conhecidas antes de ganhar o Nobel, foram premiadas depois de vários pesos pesados da política mundial, como o ex-presidente americano Jimmy Carter e o secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
Maathai foi reconhecida neste ano pela permanente luta contra o desmatamento, um fator de pobreza e instabilidade na África. A priori, o prêmio atribuído a Maathai permite ao Comitê Nobel ficar a salvo de ser condenado por intromissão na campanha para as eleições americanas de 2 de novembro. Nas três edições anteriores, as decisões do Comitê provocaram desavenças com Washington.
Premiado em 2001, Annan disse que ''não seria sábio'' atacar o Iraque. Um ano depois, o presidente do Comitê Nobel disse que o Nobel da Paz concedido a Carter representava um ''pontapé'' na administração do presidente americano, George W. Bush.
O Prêmio Nobel da Paz 2004, ao contrário, não parece ter nenhuma conotação anti-Bush. ''Nos últimos anos, o Prêmio Nobel deu lugar a críticas à administração americana. Fazer uma pausa nestas críticas pode parecer razoável'' ao Comitê, avaliou Toennesson.
Para Espen Barth Eide, do Instituto Norueguês de Assuntos Internacionais, se o novo Nobel tem alguma crítica implícita, de qualquer forma ela está dirigida ao mundo ocidental. ''Pode ser interpretado como uma retificação em relação às preocupações dos Estados Unidos e do ocidente em geral, que fazem das armas de destruição em massa e do terrorismo os únicos fatores importantes da segurança mundial'', disse Barth.


