ALTA NOS PREÇOS - Alimentos podem gerar distúrbios pelo mundo
O preço do arroz subiu 141% desde janeiro, o trigo custa 130% mais hoje do que há 12 meses e o milho nunca esteve tão caro em 12 anos: a disparada dos preços dos alimentos provoca protestos violentos em muitos países e cada vez mais gente passa fome. O Programa Mundial de Alimentos da ONU (PAM), que alimenta 73 milhões de pessoas em 78 países e é considerado a última barreira entre os famintos e a inanição, deve receber um reforço de 756 milhões de dólares adicionais (equivalente a 476 milhões de euros), informaram seus dirigentes. A hiperinflação dos alimentos coloca em perigo o cumprimento dos Objetivos do Milênio da ONU e principalmente a redução pela metade da pobreza no mundo até 2015. Segundo o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, mais de 100 milhões de pessoas podem acabar em extrema pobreza, vivendo com menos de um dólar por dia, devido ao aumento dos preços dos alimentos. Se não fizermos frente ao problema, o mundo viverá um longo período de revoltas, conflitos e desestabilização regional, alertou Jean Ziegler, relator especial da ONU para o direito da alimentação.
Egito, Camarões, Costa do Marfim, Haiti, Mauritânia, Etiópia, Senegal, Burkina Faso, Madagascar, Paquistão, Filipinas, Indonésia são alguns dos países que sofreram violentos distúrbios devido às crises alimentares
Nos países pobres, a população mais carente gasta 75% de seu dinheiro em comida, enquanto que em países ricos, se gasta apenas 15%. Antes da última escalada dos preços, já existiam no mundo 854 milhões de pessoas gravemente mal alimentadas
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