Alta abstenção marca eleições européias
Associated Press
A elevada abstenção, como já previam as autoridades, caracterizou o primeiro dia das eleições para o Parlamento Europeu, realizadas ontem em três dos 15 países da União Européia (UE): Grã-Bretanha, Holanda e Dinamarca. Estão habilitadas a votar 280 milhões de pessoas em toda a comunidade. Hoje é a vez dos eleitores da República da Irlanda e, no domingo, da Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Itália, Luxemburgo, Portugal e Suécia. A apuração começará em todos os países simultaneamente no domingo, após o fechamento das urnas na França e na Itália.
Na Grã-Bretanha, detentora de 87 das 626 cadeiras do Parlamento Europeu, a previsão de comparecimento é de menos de 30% dos eleitores. A campanha política só esquentou na última semana e teve como tema central a adesão ou não do país à moeda única européia, o euro. A questão provocou troca de acusações entre o Partido Trabalhista, do primeiro-ministro Tony Blair - com planos de integrar o país ao euro em 2002 -, e o Partido Conservador, que se apresentou como defensor da libra esterlina e da soberania nacional ameaçada pela Europa. Como o euro despencou em relação ao dólar nas últimas semanas, a campanha dos conservadores pode levá-los a obter maior representatividade do que os trabalhistas no Legislativo europeu, impondo a primeira grande derrota ao governo Blair.
A abstenção também foi alta na Holanda (31 cadeiras). A estimativa é que a participação no pleito chegue a apenas 28% (35,6% em 1994). Os holandeses estiveram mais preocupados recentemente com a crise política desencadeada pela renúncia da coalizão de governo liderada pelo trabalhista Wim Kok, no dia 19. Kok conseguiu contornar as divergências entre os membros do governo e esta semana oficializou a permanência da mesma coalizão no poder.
As últimas pesquisas de intenção de voto indicaram que os democrata-cristãos - oposição a Kok - farão a maior bancada isolada, seguidos dos três partidos que compõem o gabinete. Em Haia, uma manifestação de protesto contra a ampliação da integração do país à comunidade européia resultou em choques com a polícia. Um policial e 2 ativistas ficaram feridos e 11 foram presos.
Os dinamarqueses também não se animaram a ir às urnas escolher seus 16 representantes, mas sua participação foi um pouco maior: cerca de 50%. No pleito anterior, em 1994, 52,9% dos eleitores votaram. As pesquisas apontam como favoritos os social-democratas e os liberais.
A média de comparecimento às urnas na última eleição parlamentar européia, em 1994, foi de 57%. Os blocos social-democrata e socialista detêm a maioria no atual Parlamento Europeu, totalizando 214 cadeiras. Em seguida vêm conservadores e democrata-cristãos (201).
O Legislativo é o único órgão da UE eleito diretamente pelos cidadãos e tem como função controlar a Comissão Executiva, eleita pelos representantes dos países membros. Os poderes dos parlamentares são bastante limitados, mas foram ampliados em maio com a entrada em vigor do Tratado de Amsterdã.





