Alimentação influencia no risco de câncer
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quinta-feira, 09 de julho de 2009
Folhapress 
São Paulo - Os vegetarianos são menos suscetíveis a desenvolver câncer linfático, da bexiga e do estômago do que as pessoas que comem carne, concluiu um estudo que acompanhou 60 mil britânicos por 12 anos e foi publicado no British Journal of Cancer. No entanto, o provável efeito protetor da dieta vegetariana não foi observado em relação ao câncer de intestino.
A pesquisa concluiu ainda que, enquanto na população em geral 33% das pessoas desenvolvem câncer, entre os que não comem carne a chance cai para 29%. Os riscos foram ajustados para idade, tabagismo, álcool, índice de massa corporal, nível de atividade física e, no caso das mulheres, uso de pílula anticoncepcional.
Para Paulo Hoff, diretor-executivo do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, o estudo é mais uma evidência de que fatores ambientais, incluindo a alimentação, têm impacto no desenvolvimento do câncer. A dúvida é que tipo de alimentação é a ideal. Não temos dados para orientar uma dieta vegetariana, afirma.
Segundo o médico, embora seja extenso, o estudo pode estar sujeito a viezes importantes porque baseou-se em respostas dos entrevistados. O estilo de vida de um vegetariano pode ser diferente do de um carnívoro, com diferenças no grau de atividades e de estresse, por exemplo. Então não se sabe se o resultado se deve exclusivamente à dieta ou a uma conjunção de fatores, diz.
O risco significativo de câncer cervical entre os vegetarianos, para o oncologista, é exemplar. Ele tem a ver com exposição ao HPV. Não acho que a causa seja a dieta, mas o estilo de vida.
Quanto ao fato de os vegetarianos terem risco alto para câncer de intestino, ele afirma que, embora outros estudos tenham demonstrado que uma dieta pobre em frutas e verduras esteja associada à doença, esse tipo de câncer demora décadas para se instalar e, por isso, é possível que melhorar a alimentação ao longo da vida não diminua os riscos.
Afroamericanos têm mais risco de morrer de câncer de mama, próstata e ovário do que pessoas de outras etnias, mesmo quando recebem igual tipo de tratamento, conclui o primeiro estudo do gênero, publicado no Journal of the National Cancer Institute. Não é possível saber se a situação é a mesma entre os negros brasileiros porque não há estudos semelhantes no país.


