Aliança militar entre EUA e Argentina
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quinta-feira, 16 de outubro de 1997
Ariel Palacios Agência Estado Buenos Aires 
France PresseHomenagemDiante do monumento ao general Jose de San Martin, libertador da Argentina, o presidente norte-americano recebe flores de crianças, ao lado do presidente Carlos Menem. Ambos destacaram a luta pela liberdade em seus respectivos países e o visitante destacou o papel que a Argentina desempenha hoje no mundoNo primeiro discurso público na Argentina, o presidente norte-americano, Bill Clinton, anunciou o envio ao Congresso dos EUA de sua proposta de aliança extra-Otan entre seu país e a Argentina. Clinton elogiou a participação da Argentina em missões de paz na Bósnia e Chipre e disse que a aliança que surgirá também implica na abertura de mercados, compromissos com a liberdade e a melhoria do meio ambiente. Clinton não citou o Mercosul em nenhum momento.
Com um atraso de apenas quatro minutos, o presidente Bill Clinton iniciou sua agenda oficial na Argentina. Às 9h04, horário de Buenos Aires (10h04, horário de Brasília), chegou à praça San Martin, para depositar uma coroa de flores no monumento do herói da Independência da Argentina, o general José de San Martín. O presidente Carlos Menem o estava esperando na praça, acompanhado da maioria de seu ministério. Ao sair da limousine, Clinton foi recebido pela significativa marcha O Astro-Rei avança, interpretada pela banda do regimento de Patrícios. Ao mesmo tempo uma banda do partido peronista tocava a melodia preferida do presidente norte-americano: Macarena.
Após o fim da mixagem de acordes e de receber as chaves da cidade do prefeito Fernando De La Rúa, o presidente Menem fez seu discurso de boas-vindas. O presidente argentino começou chamando Clinton de presidente e amigo, para logo dissertar sobre a vida do general San Martín, destacando sua luta contra as tropas napoleônicas na Espanha e sua posterior vinda à América do Sul, onde lutou pela liberdade da Argentina, Chile, Peru e Equador. Combateu contra um exército considerado invencível, disse.
Clinton, que sem esperar a tradução simultânea concordava com a cabeça, ouviu Menem afirmar que os soldados argentinos atuais são herdeiros de San Martín, já que, como ele, lutam em diversas partes do mundo pela paz, em missões da ONU, como capacetes azuis. Ao terminar, Menem disse a Clinton que fizesse de conta que, ao pisar esta terra, está pisando sua terra, para terminar afirmando que somos irmãos.
A vida do herói foi a desculpa para ambos discursos presidenciais, pois em seguida Clinton usou a saga de San Martín para compará-la a de George Washington e o definiu como um cidadão do mundo. Clinton disse que hoje nas Américas respeitam-se as democracias, evitam-se as guerras, conserva-se a paz e prospera-se. Clinton citou a presença de San Martín no Peru e Equador, e que a Argentina havia sido fundamental para conseguir a paz na região, após o breve conflito de 1996. O presidente dos EUA elogiou a ação dos capacetes azuis argentinos na Bósnia e Chipre.
Nesse momento Clinton disse que havia notificado o Congresso dos EUA da intenção de nomear a Argentina como aliado extra-Otan. Menem, 30 centímetros mais abaixo e a seu lado, sorria. Os uniformes puídos da banda do histórico Regimento Patrícios indicavam que os créditos decorrentes da aliança extra-Otan serão bem-vindos.


