Bruxelas - Alemanha, França e Bélgica vetaram ontem na Otan o pedido dos Estados Unidos de apoio em caso de intervenção militar no Iraque, em uma atitude que, sem dúvida, agravará as divergências já existentes entre Washington e boa parte da Europa sobre as formas de resolver a crise com Bagdá.
Os países da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan) tinham até ontem para notificar o secretário geral da Aliança, George Robertson, se aceitavam ou não a solicitação de ajuda feita pelos Estados Unidos há duas semanas, com o objetivo de proteger a Turquia em caso de conflito no Iraque.
Na semana passada, França, Bélgica e Alemanha já tinham manifestado sua rejeição a esse pedido e ontem os três voltaram a mostrar seu desacordo ao secretário geral da Aliança.
Washington pediu a seus aliados o uso de aviões radares Awacs, apoio logístico aos países que enviarem tropas, ajuda à Turquia em caso de agressão do Iraque, uma missão de paz depois do conflito, a utilização de bases militares e do espaço aéreo dos países aliados e a instalação de baterias de mísseis antimísseis Patriot para proteger a Turquia.
''O que estamos debatendo é a data de nossa tarefa. Não se trata de saber se devemos preparar uma defesa, mas de quando é necessário preparar uma defesa'' ante um ataque do Iraque à Turquia, precisou no sábado, George Robertson, que assegurou que na Aliança há ''um acordo total'' para defender a Turquia se for atacada pelo Iraque.
Em declarações ao jornal londrino The Times publicadas na edição de ontem, o secretário americano de Defesa, Donald Rumsfeld, explicou que uma negativa desses países seria ''uma vergonha, um acontecimento surpreendente, para desanimar e que teria repercussões durante algum tempo''.
Alemanha, França e Bélgica não compartilham em absoluto a forma de resolver a crise no Iraque defendida por Washington. Enquanto os Estados Unidos continuam aumentando seu dispositivo militar na região do Golfo, onde logo terá um total de 150 mil soldados, França e Alemanha vão propor sexta-feira ao Conselho de Segurança da ONU triplicar o números de inspetores, prolongar o tempo de sua missão e declarar uma zona de proibição de vôos no Golfo Pérsico.
A proposta franco-alemã já conta com a aprovação da Rússia, membro permanente do Conselho de Segurança. Após uma reunião realizada domingo passado em Berlim, o presidente russo Vladimir Putin afirmou que atualmente ''não há fundamentos para recorrer à força'' no Iraque e assegurou que ''França, Alemanha e Rússia estão praticamente de acordo'' sobre a questão iraquiana.
Também na sexta-feira, os dois responsáveis pelas inspeções da ONU no Iraque, Hans Blix e Mohamed ElBaradei, apresentarão ante o Conselho de Segurança um informe crucial sobre o Iraque.
''A cooperação (do Iraque) tem sido boa e sentimos uma mudança de atitude séria'' em matéria de desarmamento, declarou Blix, diretor da Comissão de Controle, Verificação e Inspeção da ONU (Unmovic) antes de deixar o Iraque ontem, após uma visita de 36 horas.
El Baradei, diretor geral da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), disse que ele e seus colegas saem de Bagdá ''com um sentimento prudente de otimismo''.

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