O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e o chanceler alemão Gerhard Schroeder, coincidiram ontem em rejeitar, durante uma conversa por telefone, as propostas do presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, para deter o conflito de Kosovo, porque ‘‘não constituem a base de um acordo’’, declarou a Casa Branca. ‘‘Compartilho dos pontos de vista do chanceler Schroeder, segundo os quais as propostas do presidente Milosevic são inaceitáveis’’, declarou Clinton num comunicado. Depois de seis horas de conversas ontem em Belgrado, Milosevic garantiu ao primeiro-ministro russo, Evgueni Primakov, que estava disposto a reduzir a presença militar sérvia em Kosovo e a estabelecer negociações políticas caso acabem os bombardeios da Otan.
‘‘O presidente Milosevic começou esta campanha brutal: ele é o responsável e tem de pôr fim imediato e aceitar uma paz justa. Na Otan há consenso para seguir adiante com as operações militares’’, diz o texto do presidente norte-americano.
Antes, o porta-voz do Departamento de Estado, James Rubin, julgou ‘‘muito insuficientes’’ as propostas apresentadas por Milosevic. ‘‘Ele deve cessar sua ofensiva (em Kosovo), retirar suas forças e aceitar um acordo fundado nos acordos de Rambouillet’’, exigiu Rubin.
Clinton já tinha afirmado que os bombardeios continuariam, rejeitando implicitamente as propostas de Milosevic. ‘‘Depois disso ele falou com Shroeder’’.
A secretária de Estado, Madeleine Albright telefonou para os homólogos alemão (Joschka Fischer), inglês (Robin Cook) e francês (Hubert Védrine).
Clinton e Schroeder ‘‘estão inteiramente de acordo com a necessidade de continuar as operações militares da Otan’’, segundo Rubin.
Albright também se comunicou com o presidente de Montenegro (a outra república federada com a sérvia na atual Iugoslávia), Milo Djukanovic, para explicar-lhe que os ataques da Otan não se dirigem contra os montenegrinos e expressar-lhe o apoio de Washington.
Mais ataques Os ataques aéreos da OTAN na Sérvia e em Kosovo precisam durar ‘‘muito mais tempo’’ para que sejam reduzidas as tropas terrestres sérvias, estimou ontem o Pentágono. ‘‘Sabíamos que não conseguiríamos a vitória rapidamente’’, declarou o porta-voz do Departamento de Defesa, Kenneth Bacon. ‘‘Entramos no sétimo dia. Acho que será necessário muito mais tempo para reduzir as forças (sérvias) ao ponto considerado desejável’’, acrescentou.
A duração dos ataques ‘‘dependerá (do cumprimento) da missão’’, assegurou.
Os ataques contra os centros de comunicação, controle e comando do exército iugoslavo, reduziram sua capacidade de comunicar-se rapidamente de um extremo a outro do país, mas a Otan ‘‘não conseguiu quebrar totalmente seu sistema nervoso’’, admitiu o porta-voz.

mockup