Aliados não aceitam acordo com Bin Laden
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de abril de 2004
France Presse 
Paris - A oferta de paz do líder da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden, aos países europeus é uma estratégia que pretende aumentar as divisões entre os países ocidentais, mas com poucas chances de sucesso, consideraram especialistas ontem, interrogando-se sobre o verdadeiro objetivo do fundamentalista islâmico.
Horas depois da divulgação desta mensagem, que a CIA considera provavelmente autêntica, os europeus foram unânimes em rejeitar a proposta, principalmente os aliados dos Estados Unidos no Iraque, como a Espanha e a Itália.
''Os que querem a paz, a democracia e a liberdade não devem escutar nem prestar atenção'' à mensagem de Bin Laden, frisou o futuro ministro espanhol das Relações Exteriores, Miguel Angel Moratinos, ex-enviado especial da União Européia (UE) ao Oriente Médio.
Lucio Carraciolo, redator-chefe da revista italiana especializada em relações internacionais Limes, considerou a mensagem ''inteligente, pois pretende dividir o que já está bastante dividido'', referindo-se às tensões entre Washington e seus aliados e os países que se opuseram à guerra no Iraque.
Em uma gravação divulgada nesta quinta-feira pela rede de televisão Al-Arabiya, com sede em Dubai, o líder da Al-Qaeda propôs ''uma paz'' para os países europeus que se comprometerem a não atacar os muçulmanos.
O planejador dos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington também justifica nesta mensagem o massacre de Madri de 11 de março deste ano, no qual morreram 191 pessoas, mas não o reivindica diretamente.


