Aliados dos americanos na Otan se dividem quanto à ação militar
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segunda-feira, 17 de setembro de 2001
France Press<BR>De Bruxelas 
Os países aliados dos Estados Unidos na Otan, comprometidos a ajudar Washington em uma possível ação após os atentados da semana passada, estão divididos quanto à necessidade de uma participação militar.
O Reino Unido, aliado tradicional dos Estados Unidos, e Alemanha manifestaram sua disposição a facilitar soldados se Washington pedir.
O premier britânico, Tony Blair, pôs à disposição de seu aliado forças terrestres e aeronavais, mas recentemente advertiu que seu país não tem intenção de ''dar um cheque em branco'' aos Estados Unidos.
O chanceler alemão Gerhard Schroeder nem tampouco descartou de participar, mas advertiu do perigo de uma resposta somente militar e defendeu aplicar ''meios políticos e diplomáticos''.
No entanto, os ministros da defesa da Itália e da Grécia descartam enviar soldados, e o premier português, Antonio Guterres, advertiu do risco de cair em uma lógica ''belicosa contra inimigos imaginários'', enquanto outros países se mostram evasivos quanto ao tipo de ajuda prestariam.
Se a Aliança Atlântica decide aplicar o artigo 5 de seu tratado sobre a defesa a um aliado, após um possível pedido dos Estados Unidos, os membros da Otan podem escolher o tipo de ajuda que fornecerão, que pode ser militar, mas também política, diplomática ou econômica.
O ministro francês da defesa, Alain Richard, disse que não se deve ''limitar-se a uma ação punitiva'', e seu país ainda não decidiu o tipo de ajuda.
Os chanceleres francês e alemão, Hubert Védrine e Joschka Fischer, advertiram também do risco de provocar um confronto entre civilizações com um ataque militar ocidental contra um país muçulmano.
Entrementes, as pesquisa mostram que a maioria da população é favorável a uma intervenção: 85% dos americanos, 74% dos britânicos e 68% dos franceses, mas 70% dos gregos são contra.
A imprensa européia por sua vez também insistia esta segunda-feira na necessidade de identificar bem o inimigo antes de agir.
Por seu lado, os Estados Unidos ainda não comunicaram suas intenções à Otan. Washington pode preferir agir sem ajuda, mas segundo uma fonte da Otan preferiria dirigir uma coalizão que leve a cabo uma resposta militar com a participação, também militar, pelo menos de alguns de seus aliados.
Também se descarta uma operação levada a cabo pela Otan, mas ''implica dificuldades que os Estados Unidos poderiam não aceitar'', segundo um diplomata.


