Paulo Sotero
Aliados e assessores de Bill Clinton começaram a admitir na tarde do sábado que o escândalo sexual envolvendo o presidente dos Estados Unidos e Mônica Lewinsky, uma jovem ex-estagiária na Casa Branca, poderá levar à renúncia do chefe do governo americano. De acordo com a ‘‘rede CNN’’, ‘‘amigos’’ e ‘‘assessores próximos’’ do presidente afirmam que se Clinton teve qualquer tipo de relação sexual com Lewinsky, que tinha 21 anos quando iniciou seu estágio na Casa Branca, em agosto de 1995, ele terá que renunciar, pois cometeu crime de perjúrio.
Pelas indicações disponíveis, a primeira-dama Hillary Clinton assumiu o comando da batalha para salvar o marido. Dois ex-assessores de Clinton, seu ex-vice-chefe de gabinete, Harold Ickes, e o ex-secretário do Comércio, Mike Kantor, foram chamados de volta à Casa Branca para montar uma contra-ofensiva.
Mas há claros sinais de que a base do Partido Democrata começa a abandonar Clinton. A demora do presidente em dar uma explicação clara e detalhada de suas relações com Lewinsky levou seu ex-chefe de gabinete, Leon Panetta, a levantar o espectro do impeachment e sugerir indiretamente que Clinton renuncie, numa entrevista ao jornal ‘‘San Jose Mercury News’’. ‘‘O processo legal não desaparecerá e paralisará o Congresso’’, disse ele. Deixando clara as graves implicações políticas do escândalo, Panetta, que poderá ser candidato ao governo da Califórnia, afirmou que se o presidente teve um caso com Lewinsky e mentiu a respeito, seria melhor ‘‘se o vice-presidente Albert Gore se tornasse presidente, pois você teria uma mensagem e uma nova pessoa (na Casa Branca).’
George Stephanopoulos, o ex-assessor político de Clinton e atual analista da ‘‘rede ABC’’, advertiu no sábado que o escândalo está erodindo o apoio à Clinton entre os seus correligionários de partido. Se as acusações forem verdadeira, ‘‘ela não apenas são politicamente danosas, como podem levar a um processo de impeachment’’.
Clinton negou ter tido relações sexuais com a jovem no depoimento que deu sob juramento, no dia 17, na ação civil em que é acusado por Paula Jones, uma ex-funcionária do governo de Arkansas, de ter-lhe pedido sexo oral num quarto de hotel em Little Rock, quando era governador daquele estado. Ele repetiu o desmentido no início da semana, depois que o promotor especial Kenneth Starr, que investiga os vários escândalos do governo Clinton, conseguiu autorização legal para ampliar seu inquérito o alegado romance com Lewinsky e o escândalo explodiu na imprensa. Lewinsky confidenciou os detalhes de seu caso com o presidente a uma colega de trabalho, que gravou as conversas. Segundo pessoas que ouviram as fitas, Lewinsky diz que o romance durou 18 meses. Na semana passada, o FBI retirou do apartamento de Lewinsky vários presentes que ela disse, numa das fitas, ter recebido de Clinton. Um deles seria um vestido que conteria uma mancha feita pelo semen do presidente num de seus encontros com a jovem, na Casa Branca.
Num clima tenso e de enorme expectativa, os advogados de Lewinski pedem que ela faça um depoimento contra Clinton, em troca de imunidade judicial. Ela estaria disposta a admitir que teve relações sexuais com o presidente, contradizendo uma declaração jurada que fez anteriormente no processo Paula Jones, mas não que o presidente pediu-lhe para mentir à Justiça sobre o ‘‘affair’’. Mas esta distinção poderá se revelar irrelevante, caso se comprove que Clinton de fato teve relações sexuais com Lewinsky. Nesse cenário, o crime de perjúrio de Clinton estará caracterizado e ele terá enorme dificuldade de preservar o apoio de seu partido e da opinião pública para continuar governando. Na última pesquisa da ‘‘rede CNN’’, sua popularidade caiu de 60% para 50% em apenas três dias.

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