Aliados de Chávez pedem intervenção nos sindicatos
Associated Press
De Caracas
Cerca de 5 mil pessoas marcharam ontem pelo centro de Caracas em apoio ao presidente Hugo Chávez e à governista Assembléia Nacional Constituinte (ANC) que retirou segunda-feira praticamente todos os poderes do Congresso e contra o que chamaram de ditadura sindical.
Em resposta, o presidente da Constituinte, Luis Miquilena, prometeu instaurar uma democracia sindical, mas procurou reduzir a tensão com o Congresso, garantindo que pode ser selado em breve um acordo de convivência entre as duas instituições legislativas.
A Assembléia Constituinte está levantando a bandeira da democracia sindical e esta será imposta pela vontade de nosso povo e nossos trabalhadores, afirmou Miquilena, mentor político de Chávez. Depois de denunciar a máfia sindical que se apropriou dos sindicatos, Miquilena também se comprometeu a iniciar uma democracia pela via do entendimento, se possível.
Nosso país está vivendo sua hora estelar, estamos levando adiante uma revolução pacífica e essa revolução descansa fundamentalmente nos ombros dos trabalhadores, afirmou o presidente da Constituinte.
Ele previu para breve um acordo com o Congresso, sem dizer, porém, que tipo de acerto poderá ser feito, nem em que pontos a ANC poderá ceder. Não se trata de ceder, mas de buscar caminhos que conduzam a soluções, afirmou. É claro que, quando há diálogo são vislumbradas algumas possibilidades de acordo, é porque as partes estão dispostas a ceder de lado a lado para conseguir um entendimento.
Miquilena assinalou que é necessário que o acordo inclua os partidos de oposição Ação Democrática e Projeto Venezuela. Se ficar alguém de fora, os problemas continuarão.
Embora esteja sendo negociado um acordo, a oposição não deu sinais de que possa desistir do recurso enviado à Corte Suprema para que esta se pronuncie sobre a legalidade ou não das medidas que têm sido adotadas pela Constituinte. Vamos encher a Corte Suprema de recursos para ver se, com 50 ou 60 queixas, eles vão congelar a discussão da questão, afirmou a líder legislativa do projeto Venezuela, Mireya Rodríguez.
Depois de baixar a chamada emergência legislativa, a ANC que espera completar o esboço de uma nova Constituição em três meses prepara agora um decreto de emergência executiva para avaliar os funcionários públicos. Miquilena garantiu que a Constituinte será cuidadosa na aplicação dessa medida, para que não seja interpretada como caça às bruxas.





