Aliados anunciam a renúncia de Lozada
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sexta-feira, 17 de outubro de 2003
Fabiano Maisonnave<br> Enviado especial da<br> Agência Folha 
La Paz Após conturbados 14 meses de mandato, quando mais de 120 pessoas morreram em violentos protestos, o isolado Gonzalo Sánchez de Lozada não resistiu e anunciou sua renúncia como presidente da Bolívia, segundo informações de aliados.
Assume o país o vice-presidente Carlos Mesa (sem partido). Dono de um canal de TV e autor de vários livros sobre a história boliviana, ele é considerado um intelectual com pouca experiência política sua primeira campanha eleitoral foi a do ano passado.
Segundo o assessor internacional do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, que está em La Paz, Sánchez de Lozada assinou a renúncia no meio da tarde. A informação foi transmitida a ele pelo ex-presidente Jaime Paz Zamora.
Parte dos 130 deputados e 27 senadores chegaram durante a tarde de diversas partes do país a La Paz e, sob forte escolta policial, foram levados de ônibus ao Congresso, localizado na praça Murillo, no centro da capital.
A expectativa era que Sánchez de Lozada fizesse um comunicado oficial aos congressistas, mas há rumores de que ele já havia saído do país, de helicóptero. Havia boatos de que ele já havia entregue a carta ao presidente da Câmara, Oscar Arrien, que ficaria encarregado de ler a carta de renúncia.
Ontem, milhares de manifestantes se reuniram pela manhã, também no centro de La Paz, mas não houve incidentes graves. À tarde, as pessoas se concentraram nas ruas para esperar o anúncio oficial da renúncia.
Em pouco tempo de governo, Sánchez de Lozada enfrentou três fortes ondas de protesto. Na última, que praticamente paralisou metade do país na última semana, ao menos 74 manifestantes foram mortos em confrontos com o Exército e a polícia.
A maior ausência foi a do líder oposicionista Evo Morales, que assistiu à renúncia de Cochabamba (região central). Deputado do MAS (Movimento ao Socialismo), que tem a segunda maior bancada do Congresso, ele alegou razões de segurança.
A poucas quadras do Palácio Legislativo, milhares de camponeses, mineiros e moradores das áreas mais pobres de La Paz esperavam o anúncio da renúncia de Sánchez de Lozada na praça de São Francisco, palco das principais manifestações contra o impopular presidente.
O último dia de Sánchez de Lozada começou com a visita do líder populista Manfred Reyes Villa, presidente do NFR (Nova Força Republicana), a terceira maior bancada no Congresso. ''Vim para pedir que o presidente Sánchez de Lozada renuncie'', disse Reyes Villa.
No final da manhã, a base política de Sánchez de Lozada se resumia ao ex-presidente Jaime Paz Zamora ele mesmo isolado dentro de seu partido, o MIR (Movimento da Esquerda Revolucionária).
Foi Paz Zamora quem sinalizou a saída de Sánchez de Lozada. Sem usar a palavra ''renúncia'' ele disse que o virtual ex-presidente tomou uma ''decisão patriótica''. ''Vocês são inteligentes sabem do que se trata'', disse aos jornalistas aglomerados na residência oficial da Presidência, onde ele passou os últimos dias.


