France Press




Reta finalNa foto de baixo, candidatos oposicionistas durante carreata em Buenos Aires. Menem, foto de cima, só tem 18% de aprovação

Aos 70 anos, Raúl Alfonsín, o líder espiritual da União Cívica Radical (UCR), considera o presidente argentino, Carlos Menem, um ‘‘autoritário’’. Segundo assessores do ex-presidente, ele não esquece as 13 greves gerais promovidas pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) apoiadas pelo peronismo. Não esquece como teve de renunciar seis meses antes do fim do mandato e enviar seus ministros para pedir que Menem assumisse. Ontem de manhã, em uma entrevista na TV, Menem tocou na ferida: ‘‘Imploraram-me para assumir.’’
Alfonsín não é candidato às eleições parlamentares de domingo na província de Buenos Aires, mas dependendo do resultado, em 1999 terá a chance de derrotar o peronismo. A província é um troféu disputado: contém 40% dos votos do país. Apesar de concordar com um amplo sorriso quando lhe perguntam se deseja voltar à presidência, suas chances são reduzidas. Alfonsín tem 22% de imagem positiva e 35%, de negativa, sustenta o pesquisador de opinião pública Hugo Haime. ‘‘As pessoas não têm raiva de Alfonsín, mas decepcionaram-se com ele’’, disse Haime.
Poucos dias antes das eleições de domingo, as mais decisivas dos últimos oito anos, em seu apartamento da Avenida Sante Fé, Alfonsín disse à AE acreditar que com o tempo a UCR e a Frepaso vão fundir-se. ‘‘É uma nova força; por um longo tempo manteremos a individualidade, mas terá de ser uma federação de partidos, pois, assim, a discussão se enriquecerᒒ, disse o ex-presidente. ‘‘Há um século, a UCR também surgiu de uma união, a União Cívica.’’
Dentro da UCR, Alfonsín é um dos principais defensores da idéia de incorporar um setor do justicialismo à Aliança (coalizão da UCR e da Frepaso). Segundo ele, ‘‘se nós ganharmos a eleição, haverá um aprofundamento das linhas internas do Partido Justicialista (PJ) e uma delas vai estar perto de nós’’. Alfonsín considera que os dois anos que restam do governo Menem ‘‘serão difíceis, complexos, e ainda depois, porque um governo da Aliança terá um Senado com maioria justicialista até o ano 2001’’.
A Aliança está sendo criticada por apoiar o modelo econômico, moderando seu discurso para conseguir cooptar o empresariado. Segundo Alfonsín, ‘‘quando estamos na oposição, dizemos o que pensamos e queremos. Quando chegamos ao governo, vemos que é mais difícil concretizar as promessas.
‘‘Se você é de centro-esquerda, ao chegar ao governo, com certeza terá mais posições de centro; se tem uma posição de centro quando está na oposição, no poder será de centro-direita.’’
Nas últimas 48 horas, Menem jogou suas últimas cartadas de showman. Admitiu ciúmes da filha, Zulemita, fez embaixadas com uma bola de futebol e aproveitou para alertar a população: ‘‘Está em jogo o modelo econômico.’’
Menem não é candidato, mas está em campanha. Desde segunda-feira, apareceu em oito programas de TV. O canal estatal, ATC, transmitiu ao vivo todas as cerimônias públicas onde o presidente esteve presente. Mas o mesmo canal ignorou os milhares de participantes da caravana de encerramento da campanha da Aliança.
Tudo para conseguir reverter a situação de empate técnico entre a candidata de seu partido, o Justicialista, Hilda Chiche Duhalde, e a da Aliança opositora, Graciela Fernández Meijide, na província de Buenos Aires. Não faltará dramatismo na espera do resultado, pois, segundo as pesquisas, somente 1% das intenções de voto separa as candidatas.

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