Curitiba - O maremoto que matou milhares de asiáticos poderia ter sido identificado com horas de antecedência por estações que estudam abalos sísmicos e que estão instaladas em vários países. A destruição ocasionada pelo chamado ''tsunami'' (palavra japonesa que significa ancoradouro de ondas) só começou a ser provocada quando as ondas invadiram a costa terrestre, entre uma e oito horas depois do terremoto, que atingiu 9 graus na escala Richter o quinto mais forte desde 1900 e o maior desde o tremor de 9,2 graus que atingiu o Alasca em 1964 e provocou ondas de até 10 metros de altura.
O maremoto foi ocasionado pelo deslocamento de duas placas no fundo do mar, numa região que fica entre as Ilhas Nicobar e Simeulue, e que provocaram distúrbios sísmicos. O movimento interrompeu o equilíbrio da água e formou ondas de 160 quilômetros de amplitude e que se propagaram a 800 quilômetros por hora. Os países mais atingidos pelo maremoto foram Índia, Indonésia e Sri Lanka. Também foram afetados Bangladesh, Malásia, Maldivas, Mianmar e Tailânida (na Ásia), Quênia, Somália e Tanzânia (na África).
Para o coordenador do Centro de Apoio Científico a Situações de Desastre (Cenacid) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Renato Eugênio Lima, evitar um desastre natural não é possível. Entretanto, muitas mortes poderiam não ter acontecido se houvesse um sistema eficiente de alerta entre os países. ''A vantagem deste tipo de fenômeno é que ele ocorre dentro do oceano e os efeitos só ocorrem na zona costeira. Isso permite um tempo considerável e suficiente para que seja feito um alerta que faça com que a população possa ser afastada da região do acidente'', pontuou o geólogo.
Outras medidas preventivas poderiam ter sido tomadas, como a realização de um planejamento adequado do uso de solo, prevendo uma faixa costeira sem construção a fim de reduzir os prejuízos deste tipo de fenômeno. Não existe local que não tenha placas tectônicas que possam colidir e provocar abalos sísmicos. As placas são formadas através de fendas que ocorrem ao longo dos anos na crosta terrestre.
Algumas acabam se afastando (como acontece no Oceano Atlântico), outras se juntam e formam cadeias de montanhas (como é o caso dos Andes). O Oceano Pacífico é o que está mais sujeito a este tipo de fenômeno pela proximidade das placas e pelo tipo de formação geológica. ''Até mesmo aqui na América Latina vemos os terremotos constantemente ocorrendo por causa do choque destas placas'', explicou ele, citando países como Chile e Peru. Para Lima, o alerta tardou porque a região atingida pelo maremoto não era sujeita a este tipo de fenômeno. ''Não havia sistema de alerta entre os países porque a região não é muito sujeita a este tipo de fenômeno. Mas ele pode acontecer com qualquer região do Planeta. Todos precisam estar em alerta'', avisou.

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