Alerta de gripe suína muda comportamentos
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sábado, 02 de maio de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O alerta para a pandemia iminente da gripe suína, renomeada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como gripe A (H1N1), ainda não chegou no Brasil. Mas a possibilidade do vírus se espalhar por aqui já começa a mudar o comportamento dos paranaenses.
Um dos primeiros reflexos foi observado nas lojas de equipamentos médicos da Capital. Segundo a gerente da loja Dimed, Maria Hescko Jamino, a venda de máscaras aumentou sensivelmente nos últimos dias. Apesar de vendidas em pacote de 100, o baixo preço - os modelos na loja variam de R$ 0,06 a R$ 0,23 - incentiva a comercialização do produto.
Na Nissei, a maior rede de drogarias de Curitiba, a procura pelo medicamento Tamiflu esgotou os estoques. Apesar da demanda pelo remédio ser, normalmente, baixa, a empresa informou que já não consegue repor as prateleiras porque toda a produção do Laboratório Roche foi adquirida pelo Ministério da Saúde.
Para o clínico geral Antonio Moreno, comprar o remédio sem orientação médica é a pior coisa que a pessoa pode fazer neste momento. ''É fundamental que haja o diagnóstico da doença. Tomar o remédio sem a comprovação, além de não trazer nenhum benefício, pode dificultar outros diagnósticos, como o de pneumonia.'' O médico explica que o Tamiflu não pode ser usado para prevenção da doença e que só pode ser administrado até 48 horas após o início dos sintomas.
As notícias sobre a doença também já mudaram os planos de férias de alguns paranaenses. Apesar de as viagens para o México terem um fluxo pequeno de passageiros, de acordo com a Associação Brasileira de Agências de Viagens no Paraná (Abav-PR), algumas agências já registraram adiamento e cancelamento de pacotes para o país e também para os Estados Unidos.
Não é o caso do analista de sistemas Felipe Mallemnont Cunha, 33 anos. Amanhã ele viaja para Orlando e Nova York. Mas na mala, além dos guias, ele e a esposa já deixaram espaço para as máscaras e para a vitamina C. ''Decidi não cancelar porque planejamos há oito meses e já está tudo pago. Como ainda não tem nenhum caso confirmado na região para onde vamos, não estou assustado. Mas já decidi que não vou pegar o metrô em Nova York e vamos ficar de olho nos noticiários para possíveis mudanças de planos'', conta.
Quem ainda não sentiu o reflexo da mudança de hábitos foram os supermercados. Segundo o superintendente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Valmor Rovaris, a venda de carne suína continua normal. ''Se houve alguma redução, não foi nada significativo'', diz. A afirmação contraria a percepção da Associação Paranaense de Suinocultores. Conforme o vice-presidente do órgão, Luis Bisewski, os produtores já sentiram uma pequena retração nos pedidos. ''Vai afetar, sim, o mercado. Mas ainda é cedo para dizer o quanto'', conclui. Vale lembrar que não há risco de contaminação pelo consumo de carne ou produtos suínos: o vírus morre quando a carne de porco é cozida a 71 graus celsius.
Segundo a psicóloga Clarissa Bueno Ribeiro, mudar os hábitos por uma ameaça, ainda que as informações alertem que não existe um perigo real, é normal. ''As pessoas ficam facilmente impressionadas e se fixam em qualquer hipótese de que aquilo possa vir a acontecer. Então, é natural que elas procurem eliminar qualquer chance da ameaça se realizar'', explica.
Oportunidade de negócios -
Uma indústria paranaense comemora o comportamento precavido de algumas pessoas. A Betel, fábrica de produtos de paramentação médica em TNT, em Curitiba, que produz as procuradas máscaras cirúrgicas, já percebe um aumento no volume de pedidos do material.
''Somente nos últimos dias recebemos dois grandes pedidos de 100 mil máscaras cada. Temos a informação que um seria de uma agência de turismo e outro para uma companhia aérea. Claro que não gostaríamos que a doença chegasse por aqui, mas segue a máxima: 'enquanto uns choram, outros vendem lenço''', diz o consultor comercial da empresa, Victor Neto.


