Alemanha reabre o Reichstag em Berlim
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Associated Press 
Sob a brilhante cúpula de vidro do Reichstag restaurado, políticos alemães anunciaram ontem sua volta a Berlim como o símbolo de uma nova nação cheia de confiança em si mesma - uma Alemanha livre de seu passado nazista.
O chanceler Gerhard Schroeder deu o tom quando o parlamento inaugurou sua nova casa em Berlim, dizendo que a novamente vibrante capital representa os horrores do Terceiro Reich mas mais ainda o futuro de uma Europa unida depois do fim da guerra fria.
Nossa democracia e nosso parlamento são fortes e estáveis, declarou enquanto bandeiras alemãs balançavam nos quatro cantos do imponente edifício do século XIX. A mudança para Berlim não é uma interrupção na continuidade da história alemã do pós-guerra. Ainda assim, a aurora da chamada república de Berlim misturou-se com a inquietação de alguns deputados, pois coincide com a participação alemã nos bombardeios da Otan na Iugoslávia (v. págs. 10 e 11), o primeiro combate da Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial.
France PresseSímboloCúpula de vidro restaurada: Franqueza e transparência, segundo SchroederSchroeder defendeu o papel da Alemanha como uma responsabilidade histórica para redimir o legado nazista lutando contra a repressão em Kosovo. Para ele, isso nada tem a ver com o militarismo prussiano que outrora se enraizou em Berlim.
A era depois do fim da guerra fria nos força a dar para a Europa uma nova definição política, disse o chanceler.
Vários outros líderes políticos mencionaram o obscuro passado da Alemanha mais explicitamente que Schroeder.
Acho que podemos ir além do simbolismo corrente, disse o embaixador norte-americano para a Alemanha, John Kornblum. É muito importante o dia em que um parlamento democrático volta ao Reichstag pela primeira vez desde 1933. O edifício foi destruído por um incêndio em 1933. Culpando os comunistas, o Partido Nacional Socialistas abriu caminho para o poder naquele ano.
Luciano Violante, presidente do parlamento italiano, mandou congratulações. A unidade da Alemanha no final desde século é uma força e garantia para a Europa, disse.
A cerimônia de ontem recoloca o governo alemão de volta no caminho para Berlim depois de 50 anos na afável e provinciana cidade de Bonn, mudando o centro de gravidade político para uma metrópole a 100 quilômetros da fronteira polonesa.
Berlim, disse Schroeder, poderia tornar-se a articulação de um continente unido que agora inclui a Europa oriental.
Primeiro chanceler alemão sem memórias pessoais da guerra, Schroeder, de 55 anos, tem sido o mais proeminente propugnador da mudança desde a sua eleição no outono passado. O parlamento volta para Bonn para terminar as sessões da primavera quando então transfere-se definitivamente para Berlim em setembro.
A mudança para Berlim coloca os políticos mais próximos da ex-comunista Alemanha oriental, que tem lutado economicamente desde a unificação com próspera Alemanha ocidental, em 1990, depois da queda do muro de Berlim.
Políticos que há muito se protegem em Bonn, agora vão enfrentar os problemas orientais tais como altas taxas de desemprego, ausência de desenvolvimento econômico e extremismo de direita, segundo o deputado do Partido Verde, Werner Schulz.
As comemorações de ontem foram restritas à políticos e convidados. O público não poderá entrar no novo edifício antes de quarta-feira.
Monges franciscanos, freiras e um grupo satírico chamado Dada Lama protestaram contra o papel da Alemanha nos ataques da Otan.
Engarrafamentos na cidade deixaram os berlinenses frustrados e mostraram um pouco da agitada vida na capital.
Centenas de espectadores reuniram-se atrás de barricadas da polícia para ver as limusines Mercedes pretas e para admirar o novo edifício.
Estou feliz pelo Reichstag finalmente ter o seu esplendor de volta, disse Gisela Lemke, agitando sua bandeira. Nossa capital precisa deste edifício.
Parte dos 20 bilhões de marcos do governo voltam a Berlim com o término da reforma de quatro anos do Reichstag pelo aclamado arquiteto britânico Norman Foster.
A questão da decisão sobre se a cúpula do edifício de 1894 - um símbolo de grandeza ausente da arquitetura alemã do pós-guerra - deveria ser reconstruída ou não foi debatida passionalmente, parecendo cristalizar as questões de consciência dos alemães quanto ao seu novo papel.
Foster optou por desenhar uma cúpula de vidro moderna e um interior misturando alumínio e vidro, preservando o exterior original de arenito branco, criando uma mistura entre o velho e o novo no coração de Berlim.
Meu desejo é que a cúpula de vidro torne-se um símbolo da franqueza e transparência de nossa política democrática, disse Schroeder.


