Alemanha já prevê receber 1 milhão de refugiados em 2015
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segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Folhapress 
São Paulo A Alemanha anunciou ontem que prevê receber um total de 1 milhão de refugiados em 2015, ou 200 mil a mais do que a estimativa anterior. O país defendeu, dessa forma, a sua reintrodução de controles de fronteira dentro do espaço Schengen. A ideia conta com o apoio da Eslováquia e da Áustria - a qual anunciou também o envio das Forças Armadas para ajudar no controle de sua fronteira com a Hungria.
A informação é divulgada no momento em que os ministros do Interior e da Defesa de 28 países da União Europeia (UE) se reúnem para conversas em Bruxelas na tentativa de aprovar um acordo de divisão de 160 mil refugiados pelo bloco nos próximos dois anos. O plano, porém, tem recebido críticas de países da Europa Oriental. A chegada de cerca de 500 mil refugiados até o momento em 2015 tem pegado as autoridades da UE despreparadas - e a Alemanha alertou que o ritmo de chegadas destes pode aumentar.
O vice-chanceler do país, Sigmar Gabriel, disse em uma carta ao seu partido que "tudo aponta para que não tenhamos 800 mil imigrantes [neste ano] como estava anteriormente previsto pelo Ministério do Interior, mas 1 milhão" apenas na Alemanha. Um dia após o país ter reinstituído o controle de sua fronteira com a Áustria, o porta-voz do governo afirmou que esse procedimento, temporário, "não significa um fechamento da fronteira".
A Áustria decidiu enviar ontem as Forças Armadas para proteger sua fronteira leste, seguindo os passos da Alemanha na reimposição dos controles fronteiriços dentro da Europa, após milhares de imigrantes atravessarem a divisa austríaca com a Hungria a pé. O chanceler federal austríaco, Werner Faymann, destacou à imprensa em Viena que a missão das forças de segurança será controlar os refugiados e oferecer ajuda humanitária em caso de necessidade.
"Se a Alemanha realizar controles fronteiriços, a Áustria precisa fortalecer suas fronteiras", disse o vice-chanceler Reinhold Mitterlehner durante entrevista coletiva conjunta com Faymann. Ele e Faymann disseram que o Exército seria enviado em um papel de apoio. "O foco do apoio é a ajuda humanitária", disse Faymann. "Mas também é, e gostaria de enfatizar isto, um apoio aos controles fronteiriços onde for necessário".
O papa Francisco admitiu, em entrevista, o risco de militantes entrarem na Europa em meio a uma enorme onda de refugiados que fogem da guerra na Síria, e disse que a crise de refugiados é apenas a "ponta do iceberg" de um sistema econômico global "injusto". Em entrevista à emissora católica portuguesa Rádio Renascença, divulgada ontem, o papa se referiu ao risco de que o Estado Islâmico, que já matou cristãos e outras minorias no Oriente Médio, possa lançar ataques na Europa. "É verdade, eu também quero reconhecer que hoje em dia as condições de segurança territoriais não são as mesmas que havia em outros períodos [de imigração em massa]", disse Francisco, na entrevista. "A verdade é que a apenas 400 quilômetros da Sicília há um grupo terrorista incrivelmente cruel. Portanto, há risco de infiltração, isso é verdade."


