São Petersburgo, Rússia A Rússia, França e Alemanha, líderes da oposição à intervenção militar lançada por Washington no Iraque, insistiram ontem, depois de uma primeira reunião de cúpula, em São Petersburgo, no ''papel central'' que a ONU deveria cumprir no pós-guerra.
''Depois da queda de Saddam Hussein entramos em uma nova fase'', afirmou o presidente francês, Jacques Chirac, depois de se reunir com seus colegas russo, Wladimir Putin, e alemão, Geerhard Schroeder.
A ONU deve ter um papel central na reconstrução do Iraque, disse Chirac, para quem somente as Nações Unidas têm ''a legitimidade necessária'' para o caso.
O presidente Putin afirmou que a Rússia está ''disposta a discutir o problema da dívida do Iraque, e insistiu, por sua vez, no papel ''único'' das Nações Unidas para resolver os problemas internacionais.
Enquanto isso, o chanceler alemão Gerhard Schroeder afirmou que toda a comunidade internacional, inclusive a coalizão encabeçada pelos Estados Unidos, deveria aceitar ''a égide'' da ONU no processo de reconstrução do Iraque.
''A vitória militar (dos Estados Unidos) é incontestável'', mas o questão, agora, é ''uma vitória duradoura para os iraquianos e para toda a
região'', precisou Schroeder.
O objetivo da coalizão ''não foi alcançado'', destacou Putin. ''O único objetivo legítimo deveria ter sido o desarmamento, mas nada foi encontrado e, inclusive agonizante, o regime de Hussein não utilizou armas de destruição em massa''.
A reunião dos três líderes durou cerca de uma hora e as discussões continuam hoje,
Apelo do Vaticano Para o Vaticano, a Organização das Nações (ONU) deve intervir no Iraque, embora admita que seja necessária uma reforma para que recupere sua autoridade política ao nível mundial.
''Desejamos que a ONU se reative e intervenha no Iraque'', afirmou o cardeal Angelo Sodano, secretário de Estado do Vaticano e número dois da Santa Sé, à margem de um seminário realizado ontem em Roma e dedicado aos 40 anos da encíclica de João XXIII ''Pacem in Terris''.
O cardeal, que se entrevistou com a maioria dos antagonistas do conflito no Iraque no mês que precedeu o início da guerra, visando a evitar sua explosão, considera importante a intervenção da ONU no Iraque.
Por sua vez, monsenhor Antonio Martino, ex-observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas por quase 16 anos, manifestou a necessidade de que a organização seja reformada.
O papa João Paulo II pediu quinta-feira que sejam fechadas as feridas abertas pela guerra ao propor que se construa com a paz ''a cooperação entre as nações'' e a ''concórdia entre as religiões''.

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