Colônia, Alemanha - O papa Bento XVI realiza a primeira viagem ao exterior, de 18 a 21 deste mês, ao país natal, a Alemanha, conhecida pelo olhar crítico sobre o Vaticano. Os alemães mostram-se reticentes em relação às medidas adotadas pelo Papa contra católicos dissidentes, desde quando ele exercia as funções de guardião do dogma católico. O papa irá participar da vigésima edição das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ).
Na pátria de Lutero, em particular no norte e no leste predominantemente protestantes, tudo o que vem do Vaticano é visto com certa desconfiança. A oeste, da Renânia à católica Baviera (sul), a situação é mais equilibrada: o retrocesso da fé católica coexiste com fiéis ativos e militantes, às vezes conservadores.
Em Colônia (oeste), Bento XVI será recebido pelo arcebispo Joachim Meisner, um cardeal particularmente conservador, apelidado ''o cruzado do Reno'' pela revista semanal ''Der Spiegel''.
Paradoxalmente, muitos alemães que vêem o ex-cardeal Joseph Ratzinger como um radical na contramão da evolução do século, se sentem lisonjeados pela eleição de um alemão, intelectual de renome, para o trono de São Pedro 60 anos depois do nazismo.
A população da Alemanha o receberá calorosamente, disse Christian Weisner, do movimento dissidente católico ''Wir sind Kirche'' (''Somos Igreja'').
A excelente relação que havia inicialmente entre o anterior Papa polonês João Paulo II e os alemães terminou depois de três visitas, em 1980, 1987 e 1996. Teólogos protestantes e católicos criticaram a dupla Woitila-Ratzinger por sua rigidez em matéria de costumes e pela lentidão no avanço do ecumenismo.
Uma das principais disputas ocorreu em torno da decisão do Vaticano de proibir a participação da Igreja Católica alemã, apoiada por uma ampla mobilização de laicos, nos centros de informações sobre o aborto.
Desde então, assuntos como o aborto, a homossexualidade, o sacerdócio feminino e o matrimônio dos padres são uma fonte constante de atritos.
Outro conflito ocorreu quando o Vaticano proibiu que sacerdotes católicos e pastores protestantes celebrassem juntos a última ceia de Jesus, a eucaristia para os católicos.
Muitos teólogos dissidentes de renome punidos pelo Vaticano, como o professor suíço-alemão Hans Kueng e o sacerdote psicanalista Eugen Drewermann, críticos da autoridade papal e defensores dos direitos da mulher e das minorias, receberam com ressalvas a eleição de Bento XVI.

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