Genebra- Alemanha e França, as duas maiores economias da Europa, abrem a possibilidade de um plano conjunto de ajuda para a Grécia e desbloqueiam as negociações para um resgate da economia do país. Hoje, os 27 líderes europeus se reúnem em Bruxelas para tentar dar uma solução política à pior crise da moeda única europeia desde sua criação. Hoje, Jean Claude Juncker, presidente da zona do euro, confirmou que o plano será submetido amanhã a uma avaliação política. Resta, porém, uma negociação sobre o formato do resgate. A única certeza é que o pacote virá recheado de exigências aos gregos.
A aliança franco-alemã foi construída nos últimos dias, enquanto crescia a pressão do mercado sobre o euro e um questionamento cada vez maior sobre a capacidade da UE de dar solução às suas crises. Amanhã o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, já agendaram uma entrevista coletiva em Bruxelas. O objetivo é impedir que o euro sofra uma deterioração na credibilidade.
Com o apoio das duas maiores economias do bloco, ministro de Finanças fizeram ontem uma teleconferência para debater uma saída. No fim do dia, foi a vez dos membros do conselho do Banco Central Europeu (BCE) se reunirem com o mesmo objetivo. Juncker, que é o primeiro-ministro de Luxemburgo, disse que a proposta surgiu depois dessas reuniões.
Berlim e Paris privilegiam uma solução bilateral de apoio à Grécia para evitar violação às leis da UE. O envolvimento financeiro do FMI estaria descartado, mas Paris admite que a entidade poderá auxiliar o processo em sua condição de ''especialista''. Nos últimos 12 meses, o Fundo já atuou em vários países do Leste Europeu. Nenhum, porém, era da zona do euro.
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, insinuou ontem que seu país apenas faria parte de um plano de resgate se o FMI fosse incluído financeiramente. Por enquanto, em seu ponto de vista, a Grécia é um problema da zona do euro, que reúne 16 dos 27 países da UE.
As divisões ficaram claras quando o ministro belga de Finanças, Didier Reynders, defendeu, em entrevista ao jornal Le Monde, o uso do FMI na ajuda à Grécia. ''A Grécia tem o direito de recorrer ao FMI. Senão, qual é a vantagem de ser parte do FMI?'' Atenas, porém, é contra.

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