Moscou O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, pediu ontem ao Iraque para destruir seus mísseis Al Samud proibidos pela ONU, ao chegar a Moscou para analisar a crise iraquianam as autoridades russas, informou a agência Interfax. ''O Iraque deve cooperar totalmente (com a ONU), incluindo a destruição dos mísseis Al Samud'', declarou Schroeder, citado pela Interfax.
Moscou, Berlim e Paris apresentaram na segunda-feira na ONU um memorando comum para desarmar pacificamente o Iraque, fazendo contraproposições ao novo projeto de resolução apresentado no mesmo dia pelos Estados Unidos e por seus aliados.
França também O ministro francês de Relações Exteriores, Dominique de Villepin, fez ontem um apelo ao Iraque para que destrua seus mísseis Al Samud 2, proibidos pelas Nações Unidas. ''A França faz um apelo às autoridades iraquianas para que cooperem com as Nações Unidas, particularmente tratando-se da destruição dos mísseis Al Samud 2'', declarou Villepin à imprensa, depois de uma reunião com seu colega italiano, Franco Frattini.
Os inspetores da ONU, que reiniciaram seu trabalho há três meses no Iraque, afirmam que os mísseis do tipo Al Samud 2 superaram durante os testes o raio máximo de ação de 150 km autorizado pelas resoluções das Nações Unidas.
Saddam nega O presidente iraquiano Saddam Hussein negou ter mísseis proibidos e disse que o Iraque nunca teve qualquer ligação com a al Qaeda, em uma entrevista à rede CBS na qual também descartou qualquer plano de exílio. ''Os mísseis de que se fala, os mísseis que não estariam de acordo com as resoluções da ONU, não existem, foram destruídos'', declarou o dirigente iraquiano na entrevista.
''Estamos comprometidos em respeitar a resolução 1441 (da ONU), a aplicá-la. Como você sabe, o Iraque tem direito de fabricar mísseis terra-terra'', acrescentou Saddam Hussein na entrevista, realizada em Bagdá pelo jornalista Dan Rather, na manhã de segunda-feira, com a ajuda de dois intérpretes.
Ao ser pressionado a responder se destruirá os mísseis Al Samud II como exige a ONU, o líder iraquiano respondeu: ''Não temos mísseis fora das especificações das Nações Unidas. As equipes de inspetores estão ali e procuram isso'', insistiu.
O presidente iraquiano também descartou completamente a possibilidade de exílio. ''Nasci aqui, no Iraque (...) Qualquer um que decida abandonar sua nação a pedido de quem quer seja, não é fiel a seus princípios. Morreremos aqui'', disse. ''Morreremos neste país e manteremos nossa honra, honra necessária ao nosso povo'', acrescentou.
Blix critica O chefe dos inspetores de desarmamento da ONU, Hans Blix, afirmou que ''ainda não está claro que o Iraque verdadeiramente queira cooperar'', embora tenha pedido ''vários meses'' mais para as inspeções, em uma entrevista concedida à revista alemã Die Zelt, que será publicada hoje.

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