Além da guerra, distúrbios internos
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sábado, 24 de julho de 2004
France Presse 
Gaza - Os distúrbios continuaram ontem na Faixa de Gaza com o incêndio de uma delegacia e a ocupação da sede do governo de Khan Yunes por um grupo vinculado ao Fatah, do presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat.
Em sua última ação, membros das Brigadas dos Mártires de Al Aqsa ocuparam durante cinco horas a sede do governo de Khan Yunes e se retiraram depois de um acordo para a reintegração de meia centena de membros dos serviços de segurança demitidos.
Segundo fontes da segurança, uns 20 homens armados e mascarados tomaram o controle do edifício pela manhã após evacuar os funcionários.
Mas as Brigadas não conseguiram uma de suas principais exigências, a demissão do general Musa Arafat, primo do líder palestino, recentemente nomeado chefe do serviço de segurança geral para a Faixa de Gaza.
Em um telefonema de Khan Yunes à AFP, um dirigente das Brigadas explicou que membros de seu grupo ocuparam a sede para exigir a reintegração de 52 membros do serviço de inteligência militar, demitidos por Musa Arafat.
O dirigente, que se apresentou como Abu Ahmad, acrescentou: Queremos reformas que o povo palestino pede, a exclusão dos corruptos e a anulação da nomeação de Musa Arafat. Não deporemos as armas enquanto Musa Arafat não for destituído. E não encerraremos nosso movimento de protesto enquanto nossas exigências não forem atendidas, disse, mencionando contatos com funcionários da segurança que culminaram em um acordo sobre a reintegração do pessoal demitido.
Em Al Zawaida, um povoado próximo de Deir Al Balah (centro da Faixa de Gaza), uma delegacia de polícia palestina foi totalmente destruída por um incêndio provocado, informaram testemunhas, sem assinalar feridos.
Há uma semana, as Brigadas encabeçaram violentas manifestações contra a nomeação de Musa Arafat, a quem consideram o símbolo da corrupção que mina a Autoridade Palestina.
As manifestações foram seguidas de distúrbios em todo o território, que nos últimos dias se estenderam também à Cisjordânia.
A caótica situação, marcada principalmente por seqüestros, levou o primeiro-ministro Ahmed Qorei a apresentar sua demissão, no dia 17 de julho, a Yasser Arafat, que não a aceitou, encarregando-o de formar um novo governo para superar a crise. Qorei exige mais poderes em matéria de segurança.
Por outra lado, o exército israelense destruiu ao amanhecer seis casas palestinas no acampamento de refugiados de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, segundo uma fonte da segurança palestina. Várias famílias ficaram desabrigadas, assinalou a Agência das Nações Unidas para a Ajuda aos Refugiados Palestinos (Unrwa).
Por último, na Cisjordânia o exército israelense deteve durante a noite passada cinco militantes palestinos que estavam sendo procurados.


